A história dos judeus Guido e Giosuè no filme A Vida é Bela, em plena Segunda Guerra Mundial é uma obra de ficção (ainda que baseada em factos verídicos, da história de Rubino Romeo Salmonì e de relatos vividos pelo pai de Benigni), que ficou celebrizada pela interpretação de ‎Roberto Benigni no papel de pai Guido. Guido e Giosuè são levados para um campo de concentração e o pai decide transformar esse tempo num jogo para o seu pequeno filho, com o objetivo de o manter à margem dos horrores daquele local.

Agora a história é verídica. Vive-se na Síria, a inspiração para o jogo veio de fogo de artifício, mas o objetivo é quase o mesmo: manter um filho longe dos horrores perpetrados pelo Homem. O pai, Abdullah Al-Mohammad distrai a pequena Salwa com um jogo simples: cada vez que ouve o barulho de uma bomba deve rir-se às gargalhadas.

Num vídeo, o pai admite que a ideia surgiu depois de ter visto a filha assustada com o som de fogo de artifício. Uns dias depois a cidade onde estavam foi novamente bombardeada e o pai achou que podia explicar à filha que o som nada tinha de assustador e que, por isso, devia rir-se.

Depois de já terem sido forçados a mudar de casa, vivem agora em casa de familiares, noutra cidade, e Abdullah Al-Mohammad explica que lidar com o som de bombardeamentos “já se tornou rotina”.

“Houve muitos bombardeamentos. As crianças sofrem de problemas psicológicos e esgotamentos nervosos por causa dos atentados”, explicou o pai ao The Independent acrescentando que procurou soluções para tornar os bombardeamentos “numa fonte de felicidade e não de medo”.

“Ensinei-a que não era assustador e que devia rir-se. Ela acha que os sons das bombas são de armas de brincar”, disse Abdullah Al-Mohammad.