O Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação (CHBPT) do Hospital Curry Cabral, dedicado à cirurgia e transplantação do fígado, rins e pâncreas, vai ser transferido para o Santa Marta, em Lisboa, enquanto o primeiro estiver totalmente dedicado a receber doentes com COVID-19, comunicou ao Observador fonte oficial do Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC).

A notícia surge depois de Eduardo Barroso, médico cirurgião que inaugurou o centro, ter considerado “demagógico” e “preocupante” o encerramento dessa unidade por afastar os doentes de um serviço “valências únicas e de prestígio mundial” e com “inovações que põem o nosso SNS na vanguarda”: “Senão, está-se a abandonar os outros doentes”, considerou ao Observador.

De acordo com a assessoria do CHULC, enquanto o Curry Cabral estiver na linha da frente no combate ao surto de COVID-19 em Portugal, o centro hepático será “transferido, não encerrado” para o Santa Marta, um hospital de referência na transplantação de coração e dos pulmões, “o mais rapidamente possível”. “Já fizemos um levantamento de todo o material que vai passar de um lado para o outro. Vai ser uma operação muito rápida”, garantiu.

O Hospital Curry Cabral prefere não manter o centro hepático naquele edifício por motivos de segurança, argumenta fonte oficial: “Não podemos correr o risco de misturar doentes de COVID-19 com doentes transplantados, ainda por cima tendo em conta que ambos precisam de cuidados intensivos. Há uma razão clínica”.

Por enquanto, o Curry Cabral precisa de se dedicar à COVID-19 porque “é essa a orientação do governo, numa lógica mais do que comprovada noutros países” e porque tem “as melhores condições para isso, tem uma excelente equipa de infecciologia”, indica a assessoria do CHULC. E acrescentou: “O Hospital Santa Marta tem todas as condições para acolher os outros doentes”.

Questionado sobre se essa transferência terá algum impacto nas cirurgias agendadas no centro dedicado à hepatologia, fonte oficial do CHULC garante que não: as cirurgias e transplantes prioritários e que não podem ser adiadas continuarão agendadas. As outras já foram adiadas.