Kristalina Georgieva diz que a produção mundial já está em queda por causa da pandemia e que a dimensão da recessão será pior do que a da última crise — que provocou uma queda de 0,7% na produção global, em 2009. “Parece-nos claro que entrámos numa recessão”, disse a líder do Fundo Monetário Internacional, numa conferência de imprensa online.

A responsável do FMI apelou ainda, em declarações à Reuters, que os países respondam à crise com “recursos muito massivos”, para que sejam criadas bases para uma forte recuperação. Mas vai depender das medidas que forem tomadas.

Georgieva, que elogiou o pacote de ajuda de Donald Trump, no valor de 2 biliões de dólares, pede que os esforços de estímulo sejam concentrados nos sistemas de saúde, na ajuda aos trabalhadores que perderam o emprego e a salvar empresas da bancarrota. E garantiu que “o tamanho importa”, mas que “importa talvez ainda mais medidas bem direcionadas”.

FMI preocupado com países mais pobres. Recessão será pior do que a de 2008

Questionada sobre se a economia mundial precisa do equivalente a 4.5 biliões de euros para fazer face à crise, como foi pedido pelo G20 (os países mais ricos do mundo) — e como foi necessário na crise global de 2009 —, Kristalina Georgieva deixou o incentivo para que os países injetem quanto dinheiro puderem. “O nosso conselho é que avancem em grande”, disse, citada pela Reuters.

A economista búlgara diz ainda estar muito preocupada com os mercados emergentes e com os países em desenvolvimento, que têm assistido a uma enorme fuga de capital, prevendo que possam precisar do equivalente a 2,3 biliões de euros para poderem recuperar das disrupções criadas pela pandemia — cerca de 11 vezes o que toda a economia portuguesa produz num ano.

No entanto, a diretora-geral do FMI diz estar confiante. Em declarações à cadeia de televisão americana CNBC, Georgieva confessa estar satisfeita por ver os líderes mundiais finalmente perceberem que só em conjunto podem travar o alastramento do novo coronavírus.

“Estou muito confiante pelo que vejo agora. Vejo um entendimento muito mais claro de que se não combatermos [o novo coronavírus] em todo o lado, não conseguiremos livrar-nos dele”.