A procura de queijos, sobretudo de cabra e de ovelha, diminuiu no primeiro período da pandemia segundo o “Relatório sobre a aplicação do estado de emergência” produzido pelo Ministério da Administração Interna, citado esta sexta-feira pelo Expresso. Os efeitos da pandemia tiveram sobretudo impacto em áreas muito específicas da produção alimentar.

O documento de 117 páginas regista a quebra nas vendas de leitões, devido ao fecho dos restaurantes da especialidade, a dificuldade no escoamento de frutos vermelhos e o “impacto negativo” no sector do vinho, tanto ao nível das vendas, como ao nível do enoturismo. O negócio das flores ornamentais “estagnou”.

Apesar disso, o relatório apresenta a seguinte conclusão: no período de 19 de março a 2 de abril não se verificaram “perturbações persistentes” na cadeia de abastecimento do país, isto porque a produção agrícola e alimentar mantiveram um funcionamento quase normal, à exceção de “alguns constrangimentos” — uma referência ao fecho de restaurantes e cafés, e também a mudanças no consumo.

A carne de frango, por exemplo, subiu de preço devido ao comportamento dos consumidores que contribuíram para desequilibrar o abastecimento deste produto. E não houve quebras nas importações de cereais, tanto para alimentação humana, como animal.

No relatório é realçada a “resiliência revelada pelos trabalhadores e empresários do sector primário e da indústria agro-alimentar, perante um contexto profundamente adverso”.