Mais de 80% das empresas mantiveram-se em funcionamento, com maior recurso ao ‘lay-off’ na semana passada face à anterior, e quase 30% diversificaram ou mudaram a produção, segundo o inquérito do INE e Banco de Portugal divulgado esta terça-feira.

“Os resultados da segunda semana de inquirição (semana de 13 a 17 de abril de 2020) confirmam os desenvolvimentos devido à pandemia identificados na semana anterior”, revelam os resultados do inquérito realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Banco de Portugal (BdP).

Segundo o inquérito feito a 5,8 mil empresas de várias dimensões e setores, 82% mantinham-se em produção ou em funcionamento, sendo a percentagem significativamente mais baixa no alojamento e restauração (38%).

A percentagem de empresas que referiram que a pandemia Covid-19 implicou uma diminuição no volume de negócios foi de 80%, igual à apurada na semana anterior. A redução do volume de negócios foi superior a 50% em 39% das empresas que responderam ao inquérito.

A ausência de encomendas ou de clientes e as restrições no contexto do estado de emergência foram os fatores mais apontados como sendo os responsáveis pela redução do volume de negócios. Os resultados do inquérito mostram ainda que 60% das empresas reportaram reduções no pessoal ao serviço efetivamente a trabalhar, sendo que um quarto referiu uma redução superior a 50%.

Face à semana anterior, verifica-se uma estabilização da percentagem de empresas que referiu uma redução do pessoal ao serviço, mas uma maior proporção de empresas a recorrer ao ‘lay-off’ simplificado (51% face a 48% na semana anterior)”, pode ler-se no documento.

As microempresas e as empresas do setor do alojamento e restauração referiram mais frequentemente reduções superiores a 75% quer do volume de negócios quer do pessoal ao serviço.

Uma nova questão do inquérito da semana em análise revela que 29% das empresas respondentes referiram a diversificação ou modificação da produção e 21% referiram a alteração ou reforço dos canais de distribuição.

Segundo o inquérito, 24% das empresas diversificaram ou modificaram parcialmente a produção e 5% fizeram-no na totalidade. As empresas assinalaram a alteração ou reforço de canais de distribuição (por exemplo, via ‘online’ ou ‘takeaway’), de forma parcial (17%) ou na totalidade (4%).

Por setor, destacam-se empresas de informação e comunicação que diversificaram ou modificaram a sua atividade, bem como do setor dos serviços, com exceção dos transportes e armazenagem, que alteraram ou reforçaram os canais de distribuição.

Apesar de 51% das empresas ter recorrido ao ‘lay-off’ simplificado, “relativamente a outras medidas de apoio público recentemente implementadas, apenas uma percentagem muito pequena das empresas já beneficiou destas medidas mas existe uma percentagem mais elevada que pretende beneficiar”, indicam os resultados do inquérito. No entanto, excluindo o ‘lay-off’ simplificado, entre 46% e 58% das empresas, consoante a medida, continua a não prever o recurso a medidas de apoio.

O documento revela que 48% das empresas diz não ter condições para se manter em atividade por mais de dois meses sem medidas adicionais de apoio à liquidez, com percentagens mais expressivas no grupo das empresas de micro e pequena dimensão e principalmente no setor do alojamento e restauração.

Cerca de 12% das empresas recorreram a crédito adicional na semana anterior, sendo esta percentagem superior nas empresas de micro dimensão e inferior nas grandes (20% e 5%, respetivamente).

A intenção de manter os preços nesta semana foi referida por 90% das empresas, enquanto 8% reportaram que estes deverão diminuir, percentagem que atinge mais do dobro no alojamento e restauração.

Nesta nota informativa, o INE e o BdP divulgam os principais resultados do Inquérito Rápido e Excecional às Empresas — COVID-19 (COVID-IREE), dirigido a um conjunto alargado de empresas de micro, pequena, média e grande dimensão, representativas dos diversos setores de atividade económica.

Este inquérito tem como objetivo identificar alguns dos principais efeitos da pandemia covid-19 na atividade das empresas e baseia-se num questionário de resposta rápida sobre o volume de negócios, o número de trabalhadores, a utilização de instrumentos de apoio públicos, as disponibilidades de liquidez, o recurso ao crédito e os preços praticados.

O inquérito manter-se-á ativo enquanto se justificar e terá desejavelmente uma frequência semanal.