A CP garantiu esta quarta-feira que todas as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS) estão a ser aplicadas e informou que, num total de quatro mil trabalhadores, a empresa “regista apenas 11 casos” da Covid-19.

“Todas as medidas recomendadas pela DGS, aplicáveis à realidade CP, foram implementadas”, assegurou a empresa pública ferroviária, numa nota enviada à Lusa.

A CP-Comboios de Portugal indicou que a desinfeção das composições e das instalações tem sido feita, distribuiu equipamento de proteção individual aos funcionários, e salientou que a maioria dos trabalhadores que testaram positivo para o novo coronavírus foi infetada fora do contexto laboral.

Os trabalhadores da empresa têm desenvolvido a sua atividade diária sendo que, até este momento, no universo de quatro mil trabalhadores, felizmente, a CP regista apenas 11 casos de infeção, dos quais a maioria terá sido infetada fora do âmbito profissional”, sublinhou.

A CP acrescentou estar a “zelar diariamente pela proteção dos seus trabalhadores e clientes”, no mesmo dia em que foi acusada de não reunir as condições para a fiscalização dentro das composições.

Antes, o Sindicato Independente dos Trabalhadores Ferroviários das Infraestruturas e Afins (Sinfa) tinha afirmado não existirem condições de segurança para a fiscalização e venda de bilhetes dentro dos comboios e apelou aos revisores para que não cumpram estas tarefas.

Em comunicado, os representantes sindicais frisaram estar por assegurar os pressupostos mínimos de “biossegurança e higienosanitários” para que os trabalhadores possam cumprir a “decisão da empresa CP” para o “regresso à normalidade” das tarefas de fiscalização e venda de títulos de transporte.

Em declarações à Lusa, o coordenador nacional do Sinfa, Cândido Marques, apontou falhas na distribuição do equipamento de proteção individual, salientando que muitos colegas ainda não o receberam e quem o recebeu já está a ficar sem máscaras porque não foram acauteladas formas de repor e distribuir o material pelos locais onde estes profissionais entram ao serviço.

O dirigente sindical criticou também a decisão da CP ter sido tomada um dia após o fim do estado de emergência, porque o “perigo continua a existir, não terminou com o estado de emergência”.

A empresa sublinhou que “desde o início da situação de pandemia Covid-19 em Portugal, a CP implementou um plano de contingência que contempla medidas alargadas de proteção aos seus trabalhadores e mitigação do risco de propagação da doença”.

Além das 20 mil ações de desinfeção diárias nos comboios, tal como de vários locais de trabalho, foram entregues aos trabalhadores “mais de 70 mil luvas, 125 mil máscaras, 1.500 litros de álcool gel e mais de quatro mil doses individuais de 100 ml”, referiu. A CP acrescentou ter adquirido viseiras para quem está em contacto direto com o público, sobretudo revisores. Um equipamento que se previa ter sido entregue à CP no dia 01 deste mês e cuja distribuição a ferroviária nacional espera que aconteça até ao final da semana.

A CP zela diariamente pela proteção dos seus trabalhadores e clientes, estando a desenvolver um trabalho sério e responsável, que tem por objetivo o contributo para conter  propagação do vírus no nosso país”, sublinhou.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 254 mil mortos e infetou quase 3,6 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Mais de um 1,1 milhões de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.074 pessoas das 25.702 confirmadas como infetadas, e há 1.743 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), encerraram o comércio não essencial e reduziram drasticamente o tráfego aéreo, paralisando setores inteiros da economia mundial.