O episódio passou-se na manhã desta segunda-feira e, não fossem as câmaras televisivas, até teria passado ao lado. Presente na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas na Assembleia da República, Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios estrangeiros, colocou a máscara ao contrário, percebeu isso mesmo e soltou a frase “É a minha aversão ao azul” entre risos com as restantes pessoas na sala. Uma saída que não passou ao lado do diretor de comunicação e informação do FC Porto, Francisco J. Marques.

“Primeiro-ministro e ministro das finanças assíduos na tribuna da Luz, um secretário de Estado do desporto que facilita contactos ao Benfica, um ministro dos negócios estrangeiros que manifesta ‘aversão ao azul’. Nem na administração do Benfica há tanto benfiquismo. Já mete nojo”, escreveu o responsável dos dragões, assumindo que se tratava de um comentário relacionado com “clubismos”. Uma reação que teve prolongamento esta tarde, com Jorge Nuno Pinto da Costa, líder do clube, a não deixar passar em claro esse comentário do ministro após o encontro que teve no Palácio de Belém com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, neste caso na condição de administrador da FC Porto Media, que é proprietária do Porto Canal.

“Anulação deste Campeonato? O que se jogou não pode ser anulado. Depois se se resolver não jogar, pode dar-se o Campeonato por decreto a quem quiserem. O que tem sido feito nos outros Campeonatos que acabam é com a classificação que está, não a que gostaríamos que fosse. Na Segunda Liga subiram os que estava em primeiro e em segundo. Ou então definir por decreto. Ainda hoje vimos um ministro a dizer que tinha aversão ao azul, a propósito de uma máscara. Se for esse ministro a decretar, o FC Porto não seria campeão. Se calhar era ao céu que se referia, não ao FC Porto. Se calhar gosta mais do inferno, que é vermelho. O que está a ser feito em França é que o primeiro foi campeão. Acha que deve ser o quarto ou quinto?”, comentou Pinto da Costa.

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“Se a norma de conduta não vier complicar, há todas as condições para voltar o futebol. Se o futebol não puder voltar, então não pode voltar atividade nenhuma”, referiu ainda o presidente portista, abordando o parecer que mereceu críticas (“numa tomada de posição que é individual”) por parte de Danilo, Soares e Zé Luís.

“O desagrado foi generalizado. Há coisas que não compreendo muito bem mas isso se calhar não são fáceis de compreender. Não compreendo como se quer proibir um profissional de futebol, que vai fazer a sua atividade profissional e depois tem que ir para casa e não pode conviver com ninguém. É um desprezo para com todos os outros profissionais. Porque é que um profissional da restauração pode ir para onde quiser quando sair do trabalho? Isso é cortar a liberdade das pessoas e é injustificado. Ninguém mais que os responsáveis dos clubes têm que ter em atenção a saúde, porque são seres humanos, nossos amigos no convívio do dia a dia. Mas costuma-se dizer que tudo o que é demais… Estão a cair em exageros. Que o bom senso prevaleça”, destacou.

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Pinto da Costa estranhou também que o documento tenha sido elaborado sem ouvir os especialistas que têm vindo a trabalhar com a Liga e médicos do clube algo que, de acordo com o que apurou o Observador, aconteceu esta tarde: Helena Pires, o especialista Filipe Froes e João Pedro Araújo, médico do Sporting, representantes da Liga, reuniram com os peritos da Federação para analisarem o parecer da DGS que foi conhecido este domingo.