Durante várias décadas, acreditou-se que os fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto, guardados na Universidade de Manchester, estavam em branco. Uma recente descoberta veio afinal revelar que estes contêm texto oculto, que poderá pertencer ao Livro de Ezequiel.

Os pergaminhos, que são conhecidos como as versões mais antigas da Bíblia Hebraica, voltam a dar que falar porque a professora Joan Taylor da King’s College, em Londres, decidiu fotografar todos os fragmentos existentes com recurso a imagens multiespectrais, revelando que estes escondem texto hebraico que não é visível a olho nu.

Apesar de sempre terem sido consideradas provas de grande valor científico, os fragmentos foram encontrados aparentemente em branco nas cavernas de Qumran, no Mar Morto, no fim da década de 1940.

Entre as 51 fotografias tiradas, seis foram identificadas para investigação adicional e, destas, quatro continham texto hebraico legível, escrito com tinta à base de carbono.

No fragmento mais substancial, a investigadora conseguiu identificar vestígios de quatro linhas de texto, com 15 a 16 letras, a maioria das quais parcialmente preservada. Ainda assim, a palavra Shabbat — que significa sábado em hebraico — pode ser lida com clareza. Esta revelação parece sugerir uma ligação ao livro bíblico de Ezequiel, como indica o relatório publicado pela Universidade de Manchester.

Mais pesquisas serão levadas a cabo com o objetivo de analisar os vários artefactos de Qumran, que se encontram guardados nesta universidade. Os resultados serão posteriormente publicados num artigo científico.