Várias confissões religiosas preparam a retoma das cerimónias presenciais em Portugal, a partir de sábado, com novas regras para os fiéis e adaptações dos cultos, após uma paragem superior a dois meses por causa da pandemia de Covid-19.

O distanciamento entre os participantes e o uso de materiais de proteção vão ser os sinais mais visíveis nos templos e lugares de culto, sendo comuns a todas as celebrações religiosas, segundo as medidas de proteção estipuladas pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

Cada confissão tem ainda de adaptar os seus rituais específicos às novas regras, com o objetivo de tentar fornecer a maior segurança possível a todos os envolvidos nas cerimónias.

Contactado pela Lusa, o padre Manuel Barbosa, porta-voz e secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), saudou o regresso das cerimónias religiosas, ainda que em moldes diferentes, apontando para a longa lista de orientações já divulgada pela entidade sobre a celebração do culto público católico no contexto da pandemia Covid-19.

“Ao mesmo tempo que se retoma a participação comunitária na liturgia, há que garantir a proteção contra a infeção”, lê-se no site oficial da CEP, que “convida todos os fiéis a fazerem por si próprios todos os possíveis para limitar esta pandemia”.

Com um total de 79 recomendações, foi o 27.º ponto da lista da CEP, que determina a proibição de comunhão na boca, que levou um grupo de mais de 500 católicos, entre leigos e sacerdotes, a apelar na quarta-feira aos bispos para que revoguem esta norma, algo que, por enquanto, está fora de questão, segundo avançou à Lusa no mesmo dia o porta-voz da CEP.

Também com a reabertura no horizonte, a Comunidade Islâmica de Lisboa (CIL) divulgou um guia de recomendações a tomar no regresso das orações nas mesquitas.

“A ablução [rito de purificação e higienização] ser feita em casa, o espaço sanitário ser fechado, as portas das mesquitas serão abertas um pouco antes de cada oração e fechadas depois das orações”, enumerou à Lusa o imã David Munir, na quarta-feira, sublinhando que as pessoas devem “permanecer o mínimo de tempo nas mesquitas”.

Já Isaac Assor, oficiante litúrgico da Sinagoga de Lisboa, assinalou à Lusa que “as confissões religiosas tiveram que se adaptar” para reabrirem as portas, de acordo com as especificidades da cada uma, desde logo, em função das diferenças físicas entre os lugares de culto, bem como dos distintos rituais.

“No caso da religião judaica, todo o ritual de leitura da Tora é o ‘clímax’ da cerimónia, envolvendo várias pessoas em diferentes processos, mas vai haver uma simplificação do mesmo por razões de segurança”, exemplificou.

Setenta e um dias depois do encerramento por causa do novo coronavírus, Isaac Assor disse que o regresso no sábado ao templo vai ser feito com “grande alegria e regozijo”, até porque “todos estão ansiosos por voltar à vida normal”.

Por seu turno, o pastor António Calaim, presidente da Aliança Evangélica Portuguesa (AEP), salientou à Lusa que “as igrejas têm sido alvo de desinfeção exterior e interior, pelo que estão prontas para a reabertura”, e apelou para que “as pessoas tenham calma e ordem a entrar e a sair” dos templos.

“Vai haver mudanças nas salas, com as distâncias entre os fiéis – achamos que dois metros é um exagero e esperamos uma resposta da DGS à nossa proposta de duas cadeiras –, os pregadores e os cantores também vão cumprir com as distâncias, vai haver muito cuidado com a higiene, com as máscaras e com os desinfetantes”, adiantou, revelando que a maioria das igrejas evangélicas retoma a atividade no domingo.

Portugal entrou no dia 3 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à Covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

O Governo aprovou novas medidas que entraram em vigor no dia 18 de maio, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

O regresso das cerimónias religiosas comunitárias está previsto para 30 de maio e a abertura da época balnear para 6 de junho.