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Amorim percebeu o mais simples: não é preciso um lifting quando se tem estas caras novas (a crónica do V. Guimarães-Sporting) /premium

Jovane foi o MVP, Quaresma teve uma estreia promissora, Matheus Nunes começa a ganhar lugar. Sporting empatou em Guimarães frente ao Vitória com bis de Sporar mas começou a ganhar uma equipa (2-2).

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Jovane Cabral, que começou na ala direita e acabou à esquerda, foi o melhor jogador do Sporting em Guimarães

Miguel Pereira

Jovane Cabral, que começou na ala direita e acabou à esquerda, foi o melhor jogador do Sporting em Guimarães

Miguel Pereira

Começou a despedir-se dos jogadores do Sp. Braga no início da semana. Fechou os últimos detalhes com o Sporting na terça-feira, assinou contrato no dia a seguir. Deu o primeiro treino na quinta-feira de manhã em Alcochete, foi apresentado umas horas depois em Alvalade, estreou-se oficialmente no domingo com um triunfo frente ao Desp. Aves (que a meio da primeira parte estava reduzido a nove jogadores) após três treinos. Nesse mesmo dia, e pela segunda vez num mês, cerca de três mil pessoas tinham feito uma manifestação perto do Multidesportivo contra Frederico Varandas – dessa vez sem qualquer incidente a registar, mas com a polícia a retirar uma tarja que dizia “Ditador”, Maria José Valério assobiada após elogiar o presidente do clube e mais pedidos de demissão.

Sporting esteve duas vezes em vantagem mas não foi além do empate em Guimarães (2-2)

Este foi o contexto da entrada de Rúben Amorim nos leões. A partir daí, o nome do treinador, o quarto do clube na mesma temporada, foi apenas falado pela falha no pagamento da primeira tranche ao Sp. Braga, numa contratação que foi a terceira mais cara de sempre envolvendo técnicos e que pode custar entre 12 a 14 milhões de euros. Mais de três meses depois, o Sporting voltava a entrar em campo. “Deu para a equipa limpar a cabeça e, nesse aspeto, foi bastante importante. Sabemos disso, dá-nos vantagem”, assumiu na antecâmara do jogo em Guimarães.

O Sporting já não tem propriamente grandes ambições desportivas a não ser a conquista do terceiro lugar, face ao fosso enorme para Benfica e FC Porto. No entanto, e nestas dez jornadas, há muito mais em jogo do que um lugar melhor ou pior para a próxima temporada na Liga Europa. “Deu-nos tempo para ver como funcionava o clube, para conhecer os jogadores. Também nos permitiu fazer algum trabalho específico com alguns jogadores da formação, no sentido de haver uma adaptação mais rápida. Sistema? Se com dois dias mudei o sistema, imagem com três semanas… Temos uma ideia, o que interessam é que eles percebam o momento do jogo”, destacou Amorim.

O confinamento foi mau para todos. Para os jogadores, para os técnicos, para os dirigentes, para os clubes, para os adeptos. Mas entre o mal transversal, esvaziou a panela de pressão na qual a equipa estava mergulhada e, mesmo sem o sal e pimenta do ambiente do Dom Afonso Henriques (nem as lonas gigantes dos White Angels conseguiram disfarçar o silêncio num dos estádios mais vibrantes do país), permitiu experimentar outros condimentos e com tudo gerido ao pormenor: antes de chegar às mais de duas semanas de trabalho conjunto, o Sporting foi a primeira equipa a voltar em treinos individuais, a primeira a passar à fase 2 e a primeira a fazer jogos treino com 30 e 60 minutos entre os cerca de 30 elementos disponíveis; a partir daí, experimentou outras soluções para as alas como Camacho, Jovane ou Plata, testou Eduardo Quaresma na defesa e deu rotinas a Matheus Nunes.

Eduardo Quaresma foi um dos estreantes do Sporting em Guimarães e terminou como um dos melhores em campo

Rúben Amorim estava entusiasmado, apesar das ausência de Wendel, Joelson Fernandes. Mas do outro lado tinha uma equipa de Ivo Vieira com um futebol que conseguiu entusiasmar em vários momentos na presente época (não só no Campeonato mas também na Liga Europa, a medir forças com Arsenal ou Eintracht) e que, com um pouco mais de regularidade, colocava os minhotos a disputarem o terceiro lugar com Sporting e Sp. Braga. Porque Edwards (um achado de um nome bem conhecido dos leões, Carlos Freitas) e Davidson são dois dos melhores alas da Liga, porque Bonatini é um avançado com experiência internacional, porque João Carlos Teixeira, apesar de não ter André André, conseguiu nos últimos encontros antes da paragem mostrar mais futebol.

Era neste contexto que chegava o encontro e com a confirmação nas equipas iniciais de que Rúben Amorim vai tentar chegar ao terceiro lugar até ao final da Liga já a preparar a próxima temporada e a integração de alguns jovens no conjunto principal, casos de Eduardo Quaresma (quando havia Neto também para juntar-se a Coates e Mathieu na linha de três defesas) ou Matheus Nunes (que beneficiou da lesão de Wendel e ultrapassou Doumbia), bem como testar em jogo as experiências nos treinos como Rafael Camacho a fazer todo o corredor lateral direito (tendo Ristovski e Rosier fora da lista de jogo). No final, o Sporting não foi além de um empate no jogo que até pode prejudicar a luta pelo terceiro lugar (2-2) mas começou a ganhar uma equipa para o futuro.

Ficha de jogo

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V. Guimarães-Sporting, 2-2

25.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Dom Afonso Henriques, em Guimarães

Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco)

V. Guimarães: Douglas; Víctor García, Venâncio, Bondarenko, Florent; Pêpê, Joseph Amoah, João Carlos Teixeira (Lucas Evangelista, 79′); Edwards, Davidson (Suliman, 90+3′) e Leo Bonatini (Bruno Duarte, 69′)

Suplentes não utilizados: Miguel Silva, Ola John, Poha e Rochinha

Treinador: Ivo Vieira

Sporting: Luís Maximiano; Eduardo Quaresma, Coates, Mathieu; Rafael Camacho, Battaglia, Matheus Nunes (Doumbia 67′), Acuña; Jovane Cabral, Vietto (Gonzalo Plata, 73′) e Sporar

Suplentes não utilizados: Renan Ribeiro, Neto, Borja, Mattheus Oliveira e Pedro Mendes

Treinador: Rúben Amorim

Golos: Sporar (18′ e 51′), João Carlos Teixeira (33′) e Edwards (68′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Bondarenko (22′), Joseph (23′ e 76′), Battaglia (36′), Matheus Nunes (40′) e João Carlos Teixeira (45+1′); cartão vermelho por acumulação a Joseph (76′)

Rúben Amorim começou o encontro no banco e de máscara (Emanuel Ferro é na ficha de jogo o técnico principal) mas por certo que gostaria de ter outro à vontade para falar com os jogadores depois de um arranque onde houve mais V. Guimarães sobretudo pela capacidade individual dos alas e pela capacidade coletiva do corredor central, a condicionar muito a saída dos leões com bola e a obrigar muitas vezes ao jogo mais direto em vez de haver um jogo mais vertical de posse. Edwards, num remate que desviou ainda num defesa, deixou a primeira ameaça à baliza de Luís Maximiano (6′), que teve outro susto num canto que não trouxe males maiores porque Bondarenko não fez o movimento correto de cabeça e acabou por desviar ao primeiro poste com as costas (14′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do V. Guimarães-Sporting em vídeo]

Aos poucos, mesmo sem grandes indicações, o Sporting foi melhorando. De forma mais correta, estabilizou em termos emocionais. Mesmo longe daquilo que Rúben Amorim pretende na transição defesa-ataque, a equipa foi conseguindo esticar um pouco mais o jogo (quase sempre na direita por Jovane Cabral) e conseguiu inaugurar o marcador com muito demérito de Douglas, que quis fazer de “central artista” a controlar a bola com o peito fora da área mas permitiu que Sporar ficasse com a mesma, tendo apenas de empurrar para a baliza deserta (18′). Depois, nos minutos seguintes, houve mérito dos leões na forma como conseguiram perceber o momento vantajoso e aproveitaram a falta de reação dos vimaranenses mas o erro não demoraria a ser devolvido.

Numa zona de pressão alta bem feita pelas unidades mais avançadas, Luís Maximiano teve um passe errado para a entrada da área que Joseph conseguiu intercetar e assistir para João Carlos Teixeira que, isolado na área, tocou para o empate (32′) e provou que é o médio com maior eficácia no binómio golos-minutos (um golo por cada 150 minutos). No entanto, a primeira parte estava longe de acabar, com o mesmo João Carlos Teixeira a rematar por cima após assistência de Edwards à entrada da área antes de Vietto obrigar Douglas a uma grande defesa para canto na sequência de nova arrancada a levar tudo à frente de Jovane Cabral (39′), que mais em cima do intervalo viria a deslumbrar-se e a arriscar o remate na área por cima quando podia ter assistido Sporar. Entre os mais novos, Matheus Nunes andou por vezes perdido no corredor central onde se passou grande parte da ação mas Eduardo Quaresma cumpriu bem e foi o principal ponto de saída dos leões no primeiro tempo.

O segundo tempo começou com as mesmas características mas com um Sporting a ter outra capacidade de circular a bola, com mais confiança e maior verticalidade a partir do meio-campo. Jovane criava, Sporar finalizava. No primeiro lance, tentou apenas finalizar mas Bondarenko acompanhou bem o avançado leonino e evitou o remate no momento decisivo (47′); no segundo, finalizou mesmo após fintar Douglas e empurrar para a baliza, o golo foi anulado pelo árbitro auxiliar mas o VAR corrigiu a decisão por sete centímetros e validou o 2-1 (51′). Não só havia maior critério no corredor central entre Battaglia e Matheus Nunes como Camacho e Acuña mostravam outra predisposição para subir nas laterais, o que obrigava também os vimaranenses a baixarem mais no campo.

Apenas cinco minutos depois (ou menos, porque houve a paragem para consulta do VAR), Edwards aproveitou o espaço entre Acuña e Mathieu para entrar na área e, quase sem ângulo na direita, tentar o remate que acabou por bater nas malhas laterais. O V. Guimarães tentava voltar ao jogo com o empate mas o critério já não era o mesmo da primeira parte, ao mesmo tempo que o Sporting mostrava uma maior cautela nas transições para não ser apanhado em falso mantendo a verticalidade ofensiva com Jovane Cabral. Percebendo o que se passava, Amorim lançou Doumbia no lugar de Matheus Nunes para segurar melhor o meio-campo mas, dois minutos depois, sofreu o empate: Edwards aproveitou um remate prensado de Davidson e “fuzilou” Luís Maximiano (68′).

Ivo Vieira trocou de avançado lançando Bruno Duarte, Amorim trocou de extremo lançando Gonzalo Plata mas o jogo continuava a passar sobretudo pelos pés de Jovane Cabral, que na esquerda continuava a ser o principal foco das ações ofensivas verde e brancas e que teve na cabeça a melhor oportunidade para fazer o 3-2 (84′), obrigando Douglas a defesa apertada quando o V. Guimarães já estava reduzido a dez unidades por acumulação de amarelos de Joseph (75′). Mesmo em cima do minuto 90, Rafael Camacho ainda teve uma jogada de génio a tirar adversários da frente em ziguezague mas levou a ação mais do que devia, rematando ao lado da baliza dos minhotos quando tinha companheiros em melhor condição na área para encostar. O empate já não seria desfeito até ao final.

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