Os concessionários das praias no Algarve ultimam os preparativos para a abertura da época balnear, no sábado, concentrados em garantir o cumprimento das normas na prevenção da Covid-19, mas cientes de um verão atípico.

“Não é uma adaptação fácil, mas temos este desafio e estamos todos empenhados. Formámos os colaboradores das regras indicadas pela autoridade de saúde e vamos também sensibilizar os utentes. Esperemos que todos tenham essa consciência”, afirma à Lusa Isolete Correia, diretora da Marina de Vilamoura, responsável por sete concessões de praia, em Albufeira e Loulé.

No caso da praia da Rocha Baixinha Poente, também conhecida como Praia da Falésia, no concelho de Albufeira, as diferenças vão ser notadas logo à saída do parque de estacionamento, não só pela existência de placas de aviso, como pela obrigação de circulação dos peões pela direita.

Segundo Isolete Correia, o sentido de circulação vai estar visível assim que os banhistas iniciem a passagem na ponte que dá acesso à praia e permite atravessar a ribeira de Quarteira, linha de água que separa o concelho de Loulé do de Albufeira.

Ainda faltam os chinelos que vamos colar no chão para que se perceba melhor” indica aquela responsável, enquanto explica algumas das alterações que foi necessário fazer.

Esta é uma regra que se irá aplicar ao longo de todos o passadiços, incluindo os existentes já na areia, que foram duplicados “para evitar ao máximo a proximidade entre as pessoas”, acrescenta.

A zona onde era possível lavar os pés está em fase de remodelação, já que “vão ser substituídos por lava mãos”, tanto por serem “mais indicados para a higienização”, como por serem habitualmente uma zona de concentração de pessoas, o “que agora se procura evitar”, destaca.

Na areia, os toldos dos seis concessionários ordenados ao longo de um quilómetro de praia já estão praticamente todos colocados, “respeitando os três metros de separação de segurança”, o que implicou “uma diminuição quase para metade”. Isolete Correia adianta que foi feito um pedido para aumento da área, “que ainda aguarda resposta”, manifestando-se esperançosa que o resultado venha positivo.

O otimismo manifesta-se também na expectativa para o verão, que “terá muito mais portugueses”, estima, até porque “é o destino preferidos dos turistas nacionais”. Contudo, a diretora da Marina de Vilamoura mantém a esperança que a abertura das fronteiras traga “alguns turistas estrangeiros” e pede, por isso, um alargamento da época balnear.

Já manifestámos a nossa vontade que a época seja alargada para além de 30 de setembro e, se tudo correr bem, as autoridades estarão sensibilizadas para a estender, conforme já aconteceu nos outros anos”, afirma.

No Algarve, a época balnear começa em todas as praias em 6 de junho, primeiro dia possível, com término em 30 de setembro, à exceção de 11 praias, que prolongam a época até 15 de outubro. Em 2019, o arranque ocorreu em 15 de maio ou 1 de junho e o fim em 30 de setembro ou 15 de outubro.

A poucos quilómetros de distância da praia da Falésia, na praia de Quarteira, já situada em pleno concelho de Loulé, está também praticamente tudo preparado para o início tardio da época balnear, em vários aspetos atípica.

A logística é mais intensa, de manhã tem de se desinfetar tudo antes do cliente chegar, na hora de almoço há também um período para a desinfeção e sempre que houver uma troca nos toldos”, releva à Lusa o presidente da Associação dos Concessionários da Praia de Quarteira.

Ao longo do areal, os toldos já estão bem alinhados e “há quem tenha perdido muitos”, afirma Nelson Guerreiro, revelando que há pedidos para se acrescentar “mais uma ou duas” linhas: “Agora é ver se haverá toldos para todos, com a questão da rotatividade”.

O otimismo é algo contido, mas percetível nas palavras de quem há mais de uma década explora um das muitas concessões nesta praia de característica urbanas.

Apesar de o mês de maio e de a primeira quinzena de junho “estarem perdidos”, época em que normalmente se trabalhava com turistas estrangeiros, Nelson acredita que “vai correr tudo bem” e que este ano “se trabalha com os portugueses”.

As exigências desta época balnear trazem consigo “uma alteração nos custos da operação” com a necessidade da contratação de “mais pessoal para a logística dos toldos, a desinfeção e a orientação dos clientes”, essencial para que os clientes “tenham confiança no sítio onde se vão sentar”, frisa.

Os produtos de desinfetação são outro encargo extra e são “caríssimos”, confidencia, revelando que os que a associação encomendou para as sete concessões “apenas servem para o início da época”, sendo “quase certa” a necessidade de um reforço “lá para agosto”, avança.

O Governo determinou que a época balnear pode começar este ano em 6 de junho, mas estabeleceu regras para a utilização das praias, devido à pandemia da Covid-19, como um distanciamento físico de 1,5 metros entre diferentes grupos e afastamento de três metros entre chapéus de sol, toldos ou colmos.

Os toldos e chapéus a cargo dos concessionários só poderão ser alugados por cada pessoa ou grupo numa manhã (até às 13h30) ou tarde (a partir das 14h) e todos os equipamentos como gaivotas, chuveiros, espreguiçadeiras ou cinzeiros “devem ser higienizados diariamente ou sempre que ocorra a mudança de utente”.