A cidade de Nova Iorque vai levantar antes do previsto o recolher obrigatório imposto devido aos protestos contra o racismo e a brutalidade policial, anunciou este domingo o presidente da Câmara.

O recolher obrigatório, o primeiro em décadas em Nova Iorque e que abrangia toda a cidade a partir das 20:00, deveria estar em vigor até hoje, mas será levantado ao mesmo tempo que a cidade entra na primeira fase de alívio das medidas de confinamento em vigor há mais de dois meses devido à covid-19.

“Ontem à noite vimos o melhor da nossa cidade”, disse o autarca, Bill de Blasio, numa mensagem publicada no Twitter, na qual anunciou o fim do recolher obrigatório “com efeitos imediatos”.

“Amanhã damos o primeiro grande passo para recomeçar”, acrescentou.

Já no sábado, a polícia de Nova Iorque tinha recuado na imposição do recolher obrigatório, enquanto milhares de pessoas saíram às ruas e aos parques da cidade para se manifestarem contra a brutalidade policial, na sequência da morte do afro-americano George Floyd às mãos da polícia de Minneapolis.

Mais de duas horas depois da hora do recolher obrigatório, no sábado à noite, grupos de centenas de manifestantes continuavam a protestar em Manhattan e Brooklyn, enquanto a polícia vigiava sem intervir.

Políticos locais e defensores dos direitos humanos tinham apelado ao fim do recolher obrigatório, argumentando que a medida provoca uma tensão desnecessária quando a polícia a tenta impor, mas de Blasio tinha insistido na sua manutenção durante o fim de semana.

Milhares de pessoas manifestaram-se no sábado em várias cidades dos Estados Unidos, incluindo Nova Iorque e Washington, contra a violência policial, depois de o afro-americano George Floyd ter morrido quando um polícia pressionou o seu pescoço com um joelho.

As manifestações, que decorrem há 12 dias, chegaram a 650 cidades dos 50 estados dos EUA, tendo-se estendido no sábado a outros países, incluindo Portugal.

George Floyd, afro-americano de 46 anos, morreu em 25 de maio, em Minneapolis, Estado do Minnesota, depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Desde a divulgação das imagens nas redes sociais, têm-se sucedido os protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas, algumas das quais foram palco de atos de pilhagem.

Os quatro polícias envolvidos no caso foram despedidos, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.