Martin Luther King III, filho do ativista pelos direitos civis Martin Luther King Jr., defende o “sonho” do pai. Numa altura em que o seu país, os Estados Unidos da América, vê cada vez mais protestos contra a violência policial e racismo a surgir em várias cidades, acusa a má atuação do Presidente Donald Trump numa entrevista ao jornal Expresso (acesso pago).

Este momento, espoletado pelas manifestações globais contra a execução de George Floyd por um polícia branco, criou uma oportunidade para esse mesmo diálogo, que porventura nunca pensámos ter. Afinal de contas, este mesmo país elegeu o primeiro Presidente afro-americano em 2008 [Barack Obama], o que levou muitos brancos a afirmarem que tinha começado o período pós-racial. É claro que nenhum negro acreditou nisso“.

“Quando era criança e acompanhava o meu pai nunca me senti ameaçado pela polícia. Era ela quem nos protegia. Porém, mais de 50 anos depois — tenho 62 —, eis que a minha filha, mesmo vivendo num contexto privilegiado, sente a ameaça“, diz ao semanário. O ativista defende ainda que estas manifestações são prova do que são os EUA atualmente: “A paciência dos negros americanos esgotou-se.”

Luther King III fala ainda de como a população negra tem de “respeitar a polícia mesmo quando ela não nos respeita” sob pena de poder morrer se não o fizer. Além disso, aponta o dedo ao atual líder do executivo, Donald Trump, que acusa de ser “racista”: “Ele vê um incêndio e, em vez de querer extingui-lo, atira mais gasolina, para que as chamas aumentem. A retórica… Meu deus! É interessante ver as primeiras reações. Um dos seus comentários foi: Quando os motins começam, o tiroteio começa.”

As ações de Donald Trump são prova de comportamento racista. O que ele diz é racista. Os instintos de Trump são racistas. Não sei o que lhe vai no coração, mas aqui costuma-se dizer que se caminha como um pato e soa como um pato, então é um pato.”

Contudo, nem todo o diálogo é de ataque e Luther King III fala da consciência que os atuais protestos estão a gerar também às forças policiais do país. Sobre as manifestações que foram desencadeadas pelo brutal assassinato de George Floyd levado a cabo por polícias de Minneapolis, o ativista refere: “Incrível! Foi a primeira vez que vi tal coisa. No passado tivemos casos isolados, mas chefes de polícia?! Grupos inteiros. Deu-me imensa esperança.”