O Brasil perdeu 33,74 mil milhões de euros em investimento estrangeiro no primeiro semestre do ano, um recorde histórico negativo, desde que há registos, provocado pela pandemia da Covid-19, informou quarta-feira o Banco Central brasileiro.

De acordo com Banco Central, que compila as séries estatísticas desde 1982, os estrangeiros retiraram 266,83 mil milhões euros entre janeiro e junho, enquanto que os investimentos estrangeiros totalizaram 233,08 mil milhões de euros no mesmo período. Este valor, o mais alto dos últimos 38 anos no primeiro semestre do ano, excede o saldo negativo de 10,99 mil milhões de euros em 2009, como resultado da crise global em 2008, e dos 31,68 mil milhões de euros em 2016, quando a então Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, enfrentava o processo de impeachment.

O saldo negativo deveu-se à escalada da Covid-19 no país, principalmente em março. Só em março, o saldo foi negativo em 13,14 milhões de euros.

A fuga de capitais contrasta com o saldo positivo entre exportações e importações, que foi de 22,65 mil milhões de euros no primeiro semestre do ano, atenuando parcialmente a crise da economia brasileira. Enquanto os economistas estimam que a contração do produto interno bruto (PIB) do Brasil este ano será de 6,5%, os organismos internacionais são mais pessimistas e preveem uma queda entre 8% (Banco Mundial) e 9% (Fundo Monetário Internacional)

O Brasil é o segundo país do mundo com mais casos da Covid-19, totaliza 1.713.160 milhões de infetados e 67.964 óbitos devido à covid-19, informou na quarta-feira o Ministério da Saúde.