A queda do preço do petróleo e a perda de mercados em 2019 fizeram com que os 13 países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) tivessem receitas das exportações 18% abaixo das registadas em 2018.

Segundo os dados do Boletim Estatístico Anual divulgado esta segunda-feira pela OPEP, no caso da Venezuela, a queda chegou a 35%.

As receitas por exportação de petróleo dos Estados da OPEP caíram para 564.889 milhões de dólares, quando tinham ficado em 692.269 milhões em 2018.

O país que registou o maior recuo nas exportações foi o Irão, que passou de 60.519 milhões em 2018 para 19.233 milhões de dólares em 2019, uma queda de 68%, devido às sanções impostas pelos Estados Unidos.

No caso da Venezuela, outro país submetido a sanções dos Estados Unidos, as exportações passaram de 34.657 milhões de dólares em 2018 para 22.492 milhões de 2019.

A OPEP reduziu a sua produção em 1,86 milhões de barris diários em 2019, o que representa uma queda de 6%, enquanto os países fora da organização registaram uma subida de 1,3 milhões de barris por dia, o que equivale a um crescimento de 2,9%.

A descida nas exportações já representava um problema para as contas públicas dos países produtores antes da pandemia de Covid-19, que levou a procura mundial a descer para níveis inéditos.

Desde maio, a aliança OPEP+, formada pelos países que integram a organização e um grupo de 10 outros produtores, liderados pela Rússia, começou a aplicar cortes ainda maiores, de cerca de 9,7 milhões de barris por dia, para contrariar a queda na procura.

Ficaram isentos deste compromisso a Venezuela, o Irão e a Líbia, devido a quedas involuntárias das extrações causadas por sanções, crises económicas e conflitos armados.

O secretário-geral da OPEP, Mohamed Barkindo, assegurou esta segunda-feira, durante a apresentação do relatório, que graças a este corte o objetivo de alcançar um “mercado equilibrado” está “mais perto”.

O comité da OPEP+, copresidido pela Arábia Saudita e Rússia, realiza na quarta-feira uma reunião por videoconferência para avaliar as condições de mercado e decidir a política de cortes a seguir.

Se nada for alterado, a redução vigente será moderada para 7,7 milhões de barris diários entre agosto e dezembro e 5,8 milhões entre janeiro de 2021 e abril de 2022.