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O século XX terminou da melhor forma para o Sporting, com um conjunto orientado por Augusto Inácio (entrado a meio da temporada, para o lugar do italiano Giuseppe Materazzi) onde se destacavam nomes como Acosta, André Cruz, Peter Schmeichel, Duscher ou Pedro Barbosa a ganhar na última jornada em Vidal Pinheiro ao Salgueiros e a quebrar aquele que tinha sido até então o maior jejum sem Campeonatos, de 18 anos. O século XXI teve um passo em falso apesar do grande investimento em nomes como João Vieira Pinto, Rui Bento, Sá Pinto ou Paulo Bento mas começou de forma risonha, com Jardel e companhia a sagrarem-se campeões em 2002 numa equipa (e num plantel) de luxo onde se juntavam ainda jovens talentos como Hugo Viana e Ricardo Quaresma.

A diferença no dérbi foi curta, a distância entre os rivais é demasiado grande (a crónica do Benfica-Sporting)

Depois, tudo mudou. E, em 2020, essa mudança representa mais do que isso – mais do que ganhar ou não ganhar, foi a distância para os que ganham que aumentou. Umas vezes mais, outras vezes menos, outras quase nada, agora de novo na curva ascendente. Terceiro lugar em 2003, 2004 e 2005, sendo que no último teve uma mão no título antes da derrota na Luz na penúltima jornada. Segundo lugar em 2006, 2007, 2008 e 2009, sendo que em 2007 acabou a um ponto do FC Porto. Quarto lugar em 2010, terceiro lugar em 2011, quarto lugar em 2012, sétimo lugar em 2013, o pior de sempre na história verde e branca que afastou o clube apenas pela segunda vez das competições europeias. Segundo lugar em 2014, terceiro lugar em 2015, segundo lugar em 2016 a dois pontos do Benfica (88-86), terceiro lugar em 2017, 2018 e 2019, quarto lugar em 2020. Esta é a realidade.

O Sporting voltou a perder os quatro jogos grandes frente a FC Porto e Benfica (pela terceira vez na história), averbou a 17.ª derrota da época em que os leões mais vezes tiveram desaires, acabou o Campeonato com as duas primeiras derrotas de Rúben Amorim na Primeira Liga e em Alvalade mais o empate com o V. Setúbal pelo meio. Em 48 encontros oficiais, o Sporting ganhou pouco mais de metade (25). E quer pensar na próxima época.

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“O lance do Vinícius é decisivo mas o Sporting jogou melhor, não merecia este resultado. Agora é começar um novo capítulo. Hoje foi por uma bota, a bota do Matheus Nunes meteu o Vinícius em jogo, mas não faltou ambição. Os jogadores tiveram melhores princípios mas a classificação é que manda, já estou a pensar na próxima época e mais convencido do que nunca”, disse Rúben Amorim na conferência. “O objetivo quando entrámos era pensar já a próxima época e melhorar a classificação. Só conseguimos mantê-la. É pensar agora na próxima temporada. Se há coisa de que tenho a certeza é que a melhor coisa que fiz foi vir para o Sporting. Estou ansioso pela próxima época e espero que os adeptos do Sporting estejam preparados para a guerra”, acrescentou.

O técnico abordou ainda a necessidade de fazer o apuramento para a fase de grupos da Liga Europa em virtude do quarto lugar e abordou o reforço do plantel. “Temos de fazer a nossa preparação. Já fizemos o planeamento e o jogo da terceira pré-eliminatória não vai mudar nada. Sp. Braga é um justo terceiro? As classificações normalmente são justas… Reforços? Vamos ver o que o mercado dita e o contexto do clube. Estes jogadores deram boas respostas. Temos um caminho claro e não vamos mudar por nada”, salientou, antes de se mostrar convicto da aposta que fez em mudar para o Sporting, onde se encontra muito satisfeito e já a pensar na próxima temporada: “Hoje ainda estou mais confiante do que quando cheguei, não podia estar mais feliz com a aposta que fiz”.