A Câmara de Ponte de Lima, em parceria com a Polícia Judiciária, vai instalar sistemas de videovigilância de deteção de incêndios, após o “aumento significativo” de ignições registadas este mês, a “maioria com origem em comportamentos humanos”.

O sistema de videovigilância para deteção de incêndios vai começar a ser instalado na próxima semana em todos os acessos florestais do concelho, para prevenir a ocorrência de novos incêndios. Quem vai operar esse sistema de videovigilância é a Polícia Judiciaria (PJ)”, disse à agência Lusa o vereador da proteção civil da Câmara de Ponte de Lima (CDS), Vasco Ferraz.

Contactado pela Lusa, a propósito de uma nota de imprensa esta terça-feira emitida pela comissão distrital de proteção civil de Viana do Castelo, Vasco Ferraz adiantou que, “só este mês, foram registados em Ponte de Lima mais de 40 ignições”, e estimando a área ardida “em mais de 500 hectares”.

O responsável adiantou que aquele sistema, que representa um investimento de cerca de quatro mil euros, “é muito eficaz” por “permitir detetar um incêndio, o infrator a atear o incêndio ou simplesmente fazer a monitorização das vias que dão acesso ao local e, através da identificação da matrícula, chegar aos fogos”.

A partir daí, a PJ investiga e até poderá recolher prova”, sustentou Vasco Ferraz, adiantando que “a maioria das ignições terá tido mão criminosa”.

Na nota enviada esta terça-feira às redações, a comissão distrital de proteção civil de Viana do Castelo adianta que “a implementação daqueles sistemas de videovigilância permitirá às Forças de Segurança e Polícia Judiciária uma rápida intervenção”.

Segundo dados esta terça-feira avançados por aquela estrutura, presidida pelo autarca de Caminha, Miguel Alves, “em 26 dias de julho ocorreram 145 ignições, 68 das quais em apenas oito dias e, destas, cerca de 60% nos concelhos de Arcos de Valdevez e Ponte de Lima”.

Analisando as ocorrências, prevê-se que a maioria, direta ou indiretamente, tem origem em comportamentos humanos, pelo que se apela aos cidadãos que assumam e pratiquem comportamentos que contribuam para a diminuição do risco de ignição, não usando fogo junto das áreas florestais e informando as autoridades sobre qualquer situação suspeita”, adianta a nota.

Segundo a comissão distrital de proteção civil, “apesar das dificuldades deparadas pela dispersão dos meios pelas várias ignições praticamente simultâneas, o sucesso das operações tem sido visível, com a envolvência de todos os agentes de proteção civil, entre outras entidades cujo apoio é fulcral”.

A nota adianta ter sido “solicitado à tutela o reforço de meios, em particular de efetivos das forças de segurança, para vigilância mais ativa das áreas florestais de modo a colmatar e minimizar o desenvolvimento de novas ocorrências”.

Nos próximos dias o efetivo de patrulhamento e vigilância das autoridades será reforçado, nomeadamente em espaços rurais e florestais que apresentem riscos mais elevados de incêndio”, acrescenta.