Manifestantes e polícia confrontaram-se este sábado, em frente ao Parlamento de Beirute, no Líbano, no dia em que foi conhecido o novo balanço oficial de vítimas da explosão registada esta semana na cidade: 158 mortos e mais de 6 mil feridos feridos. Os confrontos começaram com a polícia a lançar granadas de gás lacrimogéneo, enquanto os manifestantes atiravam pedras e tentavam chegar em frente ao Parlamento, no centro de Beirute, local para onde foi convocada a manifestação a exigir responsabilidade da classe política, que acreditam ter sido responsável pela explosão de terça-feira.

Os manifestantes conseguiram invadir o ministério da Economia na capital libanesa e, durante os confrontos, um polícia perdeu a vida avança o Aljazeera citando um porta-voz da polícia local. Com o objetivo de ocupar, simbolicamente vários ministérios, os manifestantes conseguiram entrar também no ministério da energia e dos Negócios Estrangeiros e, ainda, na Associação de Bancos do país.

Ao fim de algumas horas de ocupação, com a intervenção do Exército libanês, os manifestantes foram retirados do ministério dos Negócios Estrangeiros que tinham declarado antes como “quartel general da revolução”. À frente dos contestatários estão oficiais do exército na reforma que tinham atribuído o título de “quartel general” ao ministério dos Negócios Estrangeiros.

Este sábado o primeiro-ministro, Hassan Diab, já se manifestou a favor da antecipação das eleições afirmando que é a “única forma do país sair da crise”. 

Num discurso, o primeiro-ministro acrescentou que apresentará um projeto de lei a propor eleições antecipadas enquanto milhares de manifestantes continuam nas ruas.

Segundo o Aljazeera, que cita a Cruz Vermelha Libanesa pelo menos 62 manifestantes feridos foram levados para o hospital e 175 foram assistidos no local, aumentando o número de feridos para 238.

Entretanto, milhares de pessoas invadiram a praça principal de Beirute e penduraram laços simbólicos onde dizem que as autoridades deveriam ter sido enforcadas durante a explosão desta semana.

Na praça dos mártires em Beirute os manifestantes instalaram guilhotinas em madeira, no mesmo sítio que foi epicentro da contestação iniciada em outubro de 2019, e muitos manifestantes gritaram “vingança, vingança, até à queda do regime”.

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A violência provocada por um pequeno grupo de jovens começou no início de protestos antigovernamentais, organizados após a explosão no porto de Beirute que devastou grande parte da capital.

Dois dias após uma visita histórica do Presidente francês, Emmanuel Macron, a atividade diplomática intensificou-se em Beirute para organizar apoio internacional ao país atingido, na véspera de uma conferência de doadores, este domingo.

Beirute acordou pelo quarto dia consecutivo com o som de vidros partidos recolhidos das ruas pelos moradores e um exército de voluntários, equipado com vassouras, mobilizado desde a primeira hora.

A explosão no porto na terça-feira, cujas circunstâncias ainda não estão esclarecidas, foi supostamente causada por um incêndio que afetou um enorme depósito de nitrato de amónio, uma substância química perigosa.

A explosão de 2.750 toneladas de nitrato de amónio armazenadas no porto, aparentemente provocada por um incêndio, foi a maior da história do Líbano e causou danos estimados entre 10 a 15 bilhões de dólares americanos, segundo o governador de Beirute.

A embaixada da Síria anunciou hoje que 43 dos seus cidadãos estavam entre as vítimas. Já a Holanda anunciou que a mulher do embaixador holandês no Líbano, Jan Waltmans, morreu na sequência de ferimentos.

Novo balanço das explosões: 158 mortos e mais de 6 mil feridos

As explosões no porto de Beirute na terça-feira, que devastaram bairros inteiros da capital libanesa, causaram 158 mortos e mais de 6.000 feridos, segundo um novo balanço divulgado este sábado pelo Ministério da Saúde.

O ministério reviu em baixa o número de pessoas desaparecidas, indicando existirem 21, quando até agora tinha referido várias dezenas.

O anterior balanço dava conta de 154 mortos e mais de 5.000 feridos devido às explosões, que as autoridades libanesas têm atribuído a um incêndio num depósito no porto onde se encontravam armazenadas cerca de 2.750 toneladas de nitrato de amónio. O governo reconheceu que esta substância química perigosa estava armazenada “sem medidas de precaução”.

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Na sexta-feira, o Ministério da Saúde disse que 120 dos feridos se encontravam em estado crítico, tendo as explosões deixado também até 300.000 pessoas desalojadas.

A explosão com uma força nunca vista, a mais devastadora que já ocorreu no Líbano, alimentou a raiva de uma população já mobilizada desde o outono de 2019 contra os líderes libaneses, acusados de corrupção e ineficácia em manifestações que reuniram centenas de milhares de pessoas.

Milhares estão este sábado concentrados no centro de Beirute para pedir contas às autoridades sobre as explosões, que o Presidente do Líbano, Michel Aoun, admitiu poder dever-se a “um míssil ou uma bomba”.

Aoun rejeitou na sexta-feira qualquer investigação internacional sobre a explosão. As autoridades libanesas já detiveram mais de duas dezenas de pessoas em relação com o desastre, entre funcionários do porto e da alfândega.

A tragédia atingiu o país que vive uma crise política e uma crise económica séria – marcada por uma desvalorização sem precedentes da sua moeda, hiperinflação, despedimentos em massa -, agravada pela pandemia do novo coronavírus, que obrigou as autoridades a confinarem a população durante três meses.