Este verão, os concessionários de praia contrataram menos funcionários, cerca 50%, por causa da pandemia da Covid-19, da redução da afluência e até dos elevados custos de assistência a banhistas.

“Em termos de pessoal para trabalhar nas praias temos menos perto de 50% de contratações em relação aos anos anteriores, porque, de facto, não foi preciso tanta gente”, revelou à Lusa o presidente Federação Portuguesa de Concessionários de Praia, João Carreira.

O responsável falava na praia da Sereia, em Almada, no distrito de Setúbal, onde é proprietário do restaurante Waikiki, numa manhã que se tornou ilustrativa das suas palavras devido à falta de sol e à pouca afluência das pessoas.

Esta tem sido uma característica deste verão “diferente”, causado pela pandemia da Covid-19, mas João Carreira relatou que, a nível nacional, o número de utentes nas praias “melhorou substancialmente” em julho e agosto.

“No Algarve, felizmente, melhorou imenso a partir da segunda quinzena de julho. Melhorou muito e temos muitos turistas, nomeadamente espanhóis e alemães. Não direi todo o Algarve, mas, de facto, neste momento está com uma ocupação muito boa”, adiantou.

Já no Norte, o mês de julho foi “razoável” e não se pode comparar com anos anteriores, até porque a época balnear iniciou-se mais tarde, em 27 de junho, e termina já no dia 30 de agosto.

“É um ano atípico e, de alguma forma, é um ano negativo para todos os concessionários de praia”, considerou.

Segundo João Carreira, a época balnear está marcada por quebras na faturação e as elevadas despesas com a assistência a banhistas também dificultaram a vida dos empresários.

“A segurança das pessoas nas praias são todos os nadadores-salvadores que se encontram no litoral, que são contratados pelos concessionários, e, apesar de ser um tempo de Covid-19 e as faturações serem muito menores, os concessionários é que contratam e dão segurança nas praias”, explicou.

No entanto, aproveitou para agradecer às câmaras municipais que ajudaram os empresários com a contratação destes profissionais e criticou os municípios que não o fizeram, que “infelizmente deveriam ter outra postura”.

“Aqui, na Costa de Caparica, a Câmara de Almada foi uma das que não ajudou às despesas da segurança nas praias”, lamentou.

Resta um mês de época balnear em algumas zonas do país e a afluência vai começar a diminuir, mas João Carreira tem a esperança de que o próximo inverno “seja “simpático” para que as pessoas continuem a frequentar a praia e os estabelecimentos que vão continuar abertos.

“A praia é um local seguro, é lazer, é saúde e aconselho vivamente a que as pessoas venham fazer as suas caminhadas, dar os seus mergulhos. Apareçam porque estão em segurança”, apelou.