Os utilizadores do sistema operativo Android, da Google, já podem começar a instalar a app oficial portuguesa de rastreio por contact tracing. A aplicação, desenvolvida pelo INESC TEC em parceria com o Governo, está a aparecer para instalação na loja de aplicações oficial para dispositivos Android, a Play Store, e na do iOS (os iPhones). A app já surge disponível para instalação, como é possível ver na imagem abaixo (do Android).

A app Stayaway Covid tem como objetivo ajudar a controlar a propagação do novo coronavírus

Na quinta-feira, o Observador contactou o INESC TEC, a entidade coordenadora do projeto governamental, sobre esta data. Contudo, a resposta foi: “Não nos podemos pronunciar”. Na mesma quinta-feira, horas mais tarde, o Público citou José Manuel Mendonça, presidente deste instituto, que deu mais informações: “A aplicação deve ficar disponível nas lojas online ainda durante o fim de semana”. Mesmo assim, “o lançamento oficial será no começo da próxima semana” e haverá uma sessão com o primeiro-ministro António Costa. Contudo, contactado o gabinete do Primeiro-Ministro, ao Observador a informação foi de que a data da sessão ainda está para ser divulgada.

Testámos a app portuguesa de rastreio à Covid-19. Veja como funciona e as dúvidas que nos deixou

Na conferência de imprensa de quinta-feira, questionada sobre a aplicação, a ministra Mariana Vieira da Silva afirmou: “A informação que tenho é de que na próxima semana ela estará pronta para ser descarregada”. A TSF avançou também que esta apresentação é na próxima semana. Além disso, a mesma rádio afirmou que a app ficaria disponível também para iOS, o sistema operativo móvel da Apple, nas horas seguintes, o que acabou por acontecer.

[No vídeo abaixo, um dos criadores da Stayaway Covid, explica como funciona app de rastreio]

Teste piloto teve adesão de 12%

Entre 17 Julho e 14 de Agosto, a app Stayaway esteve em testes para garantir a sua fiabilidade. Ao todo, diz o INESC TEC houve um “total de 10.268 convites, registaram-se 1.850 pessoas”. Com estes números, a “adesão ao teste piloto foi de 12%”, afirma a mesma entidade, que explica que, a 14 de agosto, “953 utilizadores de telemóveis Android e 259 utilizadores de telemóveis iOS tinham descarregado e utilizavam a aplicação”.

A Stayaway tem sido anunciada desde abril como uma das soluções para controlar a propagação da pandemia de Covid-19. Contudo, depois de não ter sido lançada em maio, junho, julho e início e meio de agosto, como chegou a ser anunciado, esta solução tem encontrado alguns impasses. A 29 de junho, a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), divulgou a sua deliberação sobre o tema. Apesar de não ter sido um parecer negativo, esta entidade afirmou que esta app tem riscos que podem comprometer a privacidade dos utilizadores.

Ao contrário de outros sistemas de geolocalização, esta app utiliza a tecnologia Bluetooth Low Energy (BLE). Teoricamente, esta solução permite anonimizar os dados dos utilizadores guardando-os apenas no dispositivo. De acordo com Rui Oliveira, a investigação do projeto para esta app pode ser avaliada em cerca de 500 mil euros. “Seria o valor que poderíamos pedir para esta investigação num projeto europeu ou numa proposta a uma empresa”, explicou ao Observador a meio de julho, não adiantado o investigador, nem tendo o Governo até hoje, adiantado mais pormenores sobre os custos desta app.

O INESC TEC desenvolveu a Stayaway em colaboração do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) e com Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), a Keyruptive e a Ubirider. De acordo com este centro de investigadores, o Governo tem acompanhado este projeto através dos Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, da Economia e Transição Digital e da Saúde.