Centenas de peregrinos judeus bloqueados durante dias na fronteira entre a Bielorrússia e a Ucrânia por causa das medidas contra a pandemia de covid-19 estão a retirar-se, renunciando à peregrinação em território ucraniano. “Se ontem (quinta-feira) eles eram mil, esta manhã às 10h00 (07h00 em Lisboa) não eram mais de 700” no posto fronteiriço de Novi Yarylovychi, disse à France-Presse o porta-voz dos guardas fronteiriços ucraniano Andri Demtchenko.

O homólogo bielorrusso, Anton Bytchkovski, confirmou “que o número está a diminuir”.

Todos os anos, por ocasião do Ano Novo Judeu, que este ano se assinala entre sexta-feira e o próximo domingo, dezenas de milhares de peregrinos juntam-se em Ouman, centro da Ucrânia, no túmulo de Rabi Naham de Breslev (1772-1810) fundador do ramo ultra ortodoxo do judaísmo (hassídicos). O abandono dos primeiros peregrinos que se encontravam junto à fronteira ficou a dever-se às celebrações do Ano Novo que começaram de madrugada.

Os judeus hassídicos tencionavam entrar na Ucrânia, por via terrestre, através da Bielorrússia, mas as restrições impostas pelas autoridades de Kiev contra a propagação da pandemia de SARS CoV-2 impedem a entrada de estrangeiros desde o final do mês de agosto. No total estima-se que cerca de dois mil peregrinos judeus, na maior parte residentes em Israel, tenham estado na Bielorrússia, onde tentaram desde a semana passada cruzar a fronteira ucraniana de Novi Yarylovchi.

Os grupos de peregrinos mantiveram-se na “terra de ninguém” entre os dois postos fronteiriços em condições precárias tendo sido necessário distribuir alimentos, água e montar tendas de campanha.

A situação na fronteira provocou tensões diplomáticas entre a Ucrânia e a Bielorrússia, com Kiev a acusar Minsk de estar a instrumentalizar a situação para mascarar a crise política interna bielorrussa, provocada pelos protestos que se seguiram às eleições de 09 de agosto, consideradas fraudulentas pela oposição.

O gabinete da presidência ucraniana apelou às autoridades da Bielorrússia no sentido de deixar de “exacerbar” a situação na fronteira e para parar de “fazer declarações mentirosas dando falsas esperanças aos peregrinos sobre a abertura da fronteira”.