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A 38 dias das eleições presidenciais, o candidato democrata e ex-vice-Presidente Joe Biden continua a surgir à frente do Presidente Donald Trump nas sondagens, incluindo em estados cruciais como a Pensilvânia, o Michigan e o Wisconsin. Porém, essa viagem está agora mais curta e outros swing-states anteveem uma corrida renhida.

Este domingo, segundo o FiveThirtyEight, site especializado na análise de sondagens, Joe Biden tem 77% de probabilidades de vencer as eleições, contra 23% de Donald Trump. Esta é a maior diferença entre os dois candidatos desde o final de junho.

No entanto, olhando a fundo para as sondagens de alguns dos estados mais decisivos, as contas parecem estar a ficar menos fáceis para Joe Biden à medida que se aproximam as eleições — e, antes disso, na madrugada de terça para quarta-feira, o primeiro debate frente a frente com Donald Trump.

É o caso da Flórida, o mais importante dos swing-states, por ser o que representa mais votos no Colégio Eleitoral: 29. Ali, de acordo com a média do RealClearPolitics, Joe Biden está 1,3 pontos percentuais à frente de Donald Trump — isto quando, perto do final de julho, essa diferença chegou a ser superior a 8 pontos. Já o FiveThirtyEight coloca Joe Biden com 58% de probabilidade de vencer a Flórida, contra 42% para Trump. Apesar disto, a sondagem mais recente, da ABC e do Washington Post, coloca o Presidente com 4 pontos de vantagem — o que, a confirmar-se, seria uma reedição do êxito em 2016 naquele estado. Tanto um candidato como o outro passaram recentemente naquele estado em campanha e o mais certo é que voltem a fazê-lo com regularidade. Aí, Donald Trump leva a dianteira de visitas à Flórida. A primeira vez que Joe Biden lá foi depois de ser nomeado foi a 15 de setembro — o que leva alguns a questionar se não foi já tarde demais.

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Depois há a Pensilvânia, onde a vantagem de Joe Biden surge com uma vantagem que, na média do RealClearPolitics é de 4,3% — algo que lhe dá um conforto mínimo, mas não ao nível do que era no final de julho, quando chegou a ter também mais 8,5 pontos percentuais do que o seu adversário. O FiveThirtyEight dá ao democrata 76% de probabiliades de vitória e 24% a Donald Trump.

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Segue-se o Michigan. Ali, Joe Biden chegou a ter no princípio de agosto uma vantagem superior a 8 pontos percentuais, mas que nesta altura foi encurtada para 5,2. Além de que na última sondagem, do Trafalgar Group, que é das poucas que tem uma amostra de mil inquiridos, Donald Trump sai em primeiro com 1 ponto de vantagem — ou seja, dentro da margem de erro. Olhando para o FiveThirtyEight, Joe Biden arranjará mais razões para estar otimista quanto a uma vitória naquele estado que Hillary Clinton perdeu para Donald Trump: tem 85% de probabilidade de ganhar, contra 15% do adversário.

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Na Carolina do Norte, que é cada vez mais um swing-state, Joe Biden chegou a aparecer com uma vantagem de 4,6 pontos no início de agosto, de acordo com a média do RealClearPolitics. No entanto, essa vantagem agora é apenas de 0,8%, o que impossibilita qualquer previsão assertiva quanto ao futuro deste estado tipicamente republicano mas que em 2008 Barack Obama conseguiu, excecionalmente e pela primeira vez desde Jimmy Carter em 1976, conquistar para o Partido Democrata. No FiveThirtyEight, também há poucas certezas: 54% de probabilidade de vitória de Joe Biden, 46% para Donald Trump.

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Pelo contrário, no Wisconsin, Joe Biden parece ter conseguido contrariar o efeito negativo para o democrata que alguns previam que viesse a surgir na sequência dos motins em Kenosha, naquele estado, e em benefício de Donald Trump. As previsões, até aqui, apontam para uma vitória do democrata: com uma vantagem de 6,6% na média do RealClearPolitics, cuja recolha conta apenas com uma sondagem que dá vitória a Donald Trump, de agosto, e com apenas 1 ponto de vantagem. No FiveThirtyEight, Joe Biden aparece com 80% de probabilidade de vencer, contra 20% de Donald Trump.

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