As exportações aumentaram 3,5%, totalizando 59.903 milhões de euros, e as importações cresceram 6,0%, correspondendo a 79.977 milhões de euros, em 2019, em termos nominais, face ao ano anterior, divulgou esta segunda-feira o INE.

Segundo as Estatísticas do Comércio Internacional de 2019 do Instituto Nacional de Estatística (INE), a balança comercial de bens registou um défice de 20.074 milhões de euros, mais 2.485 milhões de euros face ao ano anterior, uma “evolução desfavorável já observada nos três anos anteriores” e resultante sobretudo, do comércio extra União Europeia (UE), que registou um acréscimo do défice em 1.863 milhões de euros.

O destaque do INE, que contém os resultados definitivos das estatísticas do Comércio Internacional de Bens relativos ao ano passado, indica também que, excluindo os combustíveis e lubrificantes, as exportações aumentaram 4,4% e as importações 6,8% (mais 5,4% e mais 8,0%, respetivamente, em 2018) e o défice aumentou 2.155 milhões de euros, atingindo 14.636 milhões de euros.

As transações de bens de Portugal com o exterior continuaram em 2019 a dar-se maioritariamente com países que pertencem à UE, tendo esse domínio aumentado para 76,8% nas exportações (mais 0,6 pontos percentuais face a 2018) e para 76,4% nas importações (mais 0,5 pontos percentuais).

Os principais clientes e fornecedores externos de bens a Portugal continuaram a ser Espanha, França e Alemanha, concentrando conjuntamente quase metade das exportações (49,6%, o mesmo peso que em 2018) e mais de metade das importações (53,6%, mais 0,6 pontos percentuais face ao ano anterior).

Espanha manteve-se como o principal parceiro de Portugal (peso de 24,7% nas exportações e 30,5% nas importações) e como o mercado com o maior défice comercial, tendo o saldo das transações com o país vizinho registado um agravamento de 491 milhões de euros.

Já os maiores excedentes mantiveram-se nas transações com os Estados Unidos e o Reino Unido (por esta ordem), embora com troca de posições face ao ano anterior, e o terceiro maior excedente passou a observar-se nas transações com Marrocos (França em 2018).

O segmento de máquinas e aparelhos manteve-se como o principal grupo de produtos importados em 2019, mas deixou de ser o principal grupo de produtos exportados, posição que passou a ser ocupada pelos veículos e outro material de transporte, que registaram o crescimento anual mais elevado.

O maior défice comercial passou a registar-se nas máquinas e aparelhos (combustíveis minerais em 2018), enquanto o maior excedente manteve-se nas transações de minerais e minérios.

As importações de bens através do comércio eletrónico/vendas à distância totalizaram 348 milhões de euros em 2019 (0,6% do total das importações intra UE), registando um acréscimo de 23,5% face ao ano anterior (mais 66 milhões de euros).

Em 2019, em termos dos bens transacionados segundo as grandes categorias económicas, o INE destaca os acréscimos nas exportações e nas importações de material de transporte: As exportações aumentaram 14,2% face ao ano anterior, atingindo 12.128 milhões de euros, e as importações somaram 14.748 milhões de euros, aumentando 21,8% face ao ano anterior (em ambos os casos o valor mais alto desde 2010).

Analisando a evolução do peso das exportações e importações de material de transporte no total do comércio internacional, verifica-se que em 2019 atingiram o peso mais elevado do período, representando 20,2% das exportações nacionais (mais 1,8 pontos percentuais face a 2018) e 18,4% das importações totais (mais 2,3 pontos percentuais face ao ano anterior).

Os cinco principais destinos das exportações nacionais de material de transporte foram Espanha (21,3% das exportações), Alemanha (20,5%), França (15,6%), Reino Unido (8,1%) e Itália (6,7%) e os principais fornecedores foram França (peso de 28,3%), Alemanha (23,2%), Espanha (22,1%), Bélgica (3,5%) e Itália (2,7%).

Em 2019, nota o INE, a taxa de cobertura das importações pelas exportações de material de transporte (82,2%) foi superior à taxa de cobertura da globalidade do comércio internacional (74,9%), sendo que, à semelhança da taxa de cobertura global, a taxa de cobertura desta categoria também apresentou um decréscimo em 2019 face ao ano anterior (menos 5,4 pontos percentuais).