O Cineclube do Porto, o mais antigo do país, fez 75 anos no dia 13 de abril, mas é este sábado, dia 31 de outubro, que lança um dos projetos em que tem vindo a trabalhar nos últimos tempos: um livro com a sua história e contributo. A edição comemorativa “75 anos: Cineclube do Porto” é apresentada na Casa das Artes e contém artigos de investigadores e personalidades da área do cinema sobre o mundo dos cineclubes, em particular sobre a história desta instituição, bem como o acervo deste projeto.

O livro, publicado em português e inglês, compila algum do “trabalho exaustivo” e de “constante procura pela parte de investigadores da área do cinema” que tem sido desenvolvido. “A edição deste livro, que cremos ser uma urgência histórica, aborda temas tais como as origens do movimento cineclubista e o particular contributo do Cineclube do Porto, o contexto artístico portuense na sua ligação com o Cineclube, o acervo do Cineclube do Porto e a sua relevância não só para a leitura da cultura cinematográfica dos últimos 75 anos como para a promoção e o suporte do trabalho desenvolvido por investigadores desta área do conhecimento”, explicam os responsáveis do também denominado Clube Português de Cinematografia (CPC-CCP).

A edição contou com a parceria do Instituto do Cinema e do Audiovisual, do Município do Porto, da Direção Regional de Cultura do Norte e a ainda da Cinemateca Portuguesa. Em 2018, Joana Canas Marques, atual diretora do Cineclube do Porto, contava ao Observador que a realização de uma investigação sobre o cineclube e a edição de um livro era um dos objetivos para o futuro. “Quanto mais pessoas tiverem consciência do que foi e do que é o cineclube e de toda a importância que teve a nível nacional e até internacional, tudo isso vai ajudar à sobrevivência da associação”, referiu na altura.

A vida do Cineclube do Porto dava um filme, mas é num livro que a sua história se vai contar

Nos últimos anos, o Cineclube do Porto tem também trabalhado com outras entidades parceiras, nomeadamente a Cinemateca Portuguesa, o Museu da Imagem em Movimento e o Arquivo Histórico Municipal do Porto, para conseguir “disponibilizar ao público o seu acervo fílmico, equipamento e memorabília, biblioteca e documentação“.

Além da apresentação do livro comemorativo dos 75 anos, que acontece às 18h, serão também exibidos dois filmes relacionados com o cineclube: “Um homem não é um homem só”, uma curta-metragem de Alberto Seixas sobre o cineclubista Luís Neves Real, e “Memórias familiares”, um filme de Adriana Rocha, José Alberto Pinto e Luís Vieira Campos sobre Henrique Alves da Costa, outro nome histórico do cineclube.

O Cineclube do Porto nasceu em 1945, a partir de um grupo de estudantes liderados por Hipólito Duarte, no Liceu Alexandre Herculano. Além de ter sido um ponto de encontro entre estudantes, amadores e amantes do cinema (e um dos rostos desta arte na cidade), foi também um local de resistência à censura do regime do Estado Novo. Em 2013, depois do acordo estabelecido com a Direção Regional da Cultura do Norte, o Cineclube do Porto, que estava sediado na Rua do Rosário, passou a realizar sessões regulares de cinema na Casa das Artes, onde ainda hoje está presente.