Numa altura em que os números da pandemia crescem e a necessidade de internamento aumenta, todas as camas contam e a Segurança Social parece agora ter começado a dar resposta aos casos de uma forma mais expressiva. Segundo a edição do Público desta sexta-feira, há vários hospitais do país que viram reduzidos para metade os doentes com alta clínica que ainda permaneciam no hospital.

Maioritariamente idosos, sem qualquer apoio familiar, casos de doença mental ou ainda sem-abrigo. A caracterização dos “casos sociais” que depois de alta clínica continuam a ocupar camas nos hospitais abarca vários casos, mas a falta de suporte familiar no exterior das unidades hospitalares ou condições de habitação indignas fazem com que possam permanecer nos hospitais por semanas, meses ou anos além do necessário. Em maio a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalres (APAH) já tinha feito um levantamento e chegado à conclusão que seriam cerca de 1.500 as camas ocupadas por estas pessoas.

Mais de 1.500 camas dos hospitais do SNS ocupadas com casos sociais. 80% das pessoas com alta têm mais de 65 anos

Ainda assim, além do esforço da Segurança Social para transferir estes doentes há ainda centenas nos hospitais. Segundo o jornal diário, no hospital Beatriz Ângelo, em Loures, continuam 15 casos de internamento social, depois de na quinta-feira terem saído 10 encaminhados pela Segurança Social, no Amadora-Sintra estão oito, mas segundo a Administração Regional de Saúde de Lisboa continuam “130 pessoas internadas e identificadas como casos sociais nos 13 hospitais” que estão sob a influência da ARS de Lisboa e Vale do Tejo.

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A Norte, onde os números da Covid-19 são mais expressivos também foram libertadas algumas das camas. No hospital de São João saíram para um lar “16 pessoas que estavam no hospital há mais de um ano”, mas continuam outras 16 à espera de resposta. No Centro Hospitalar Universitário do Porto foram transferidos metade dos “casos sociais” —25 — para lares, mas continuam “26 inapropriadamente hospitalizados” à espera de uma solução.