Richard Pilger, diretor do ramo do Departamento da Justiça que investiga os crimes eleitorais, demitiu-se na segunda-feira depois de ter sido emitido um memorando que ordena a investigação de “alegações substanciais” de fraude nas eleições presidenciais de 3 de novembro.

Após me ter familiarizado com a nova política e as suas ramificações, e de acordo com a melhor tradição do Prémio John C. Keeney para a Integridade Excecional e Profissionalismo — o reconhecimento departamental que mais estimo — tenho lamentavelmente de me demitir do cargo de diretor da Secção de Crimes Eleitorais”, anunciou em comunicado, citado pela NBC News.

O afastamento de Richard Pilger foi anunciado pouco depois de o procurador-geral William Barr ter autorizado os procuradores federais a investigar se houve ou não irregularidades no processo eleitoral norte-americano — uma acusação frequentemente repetida pela campanha de Donald Trump e pelo próprio Presidente em funções.

Embora seja imperativo que alegações confiáveis ​​sejam tratadas de maneira oportuna e eficaz, é igualmente imperativo que o pessoal do Departamento exerça a cautela adequada e mantenha o compromisso absoluto do Departamento com a justiça, a neutralidade e o não partidarismo”, justificou William Barr, que é republicano e um aliado próximo de Donald Trump.

A decisão de investigar estas acusações contradiz uma prática do Departamento da Justiça para evitar um escrutínio “até a eleição em questão estarem concluídas, os resultados serem certificados e todas as recontagens e concursos eleitorais concluídos”, admitiu o próprio Barr em comunicado. Mas, para o procurador-geral, “tal abordagem de aplicação passiva e retardada pode resultar em situações em que má conduta eleitoral
não pode ser corrigido de forma realista”.

Richard Pilger sugere em comunicado que não concorda com este posicionamento e, por isso, demite-se. “Gostei muito de ter trabalhado convosco por mais de uma década numa lei, política e prática federal de crime eleitorial agressivas e reforçadas diligentemente, sem medos ou favores partidários“, disse o diretor numa nota interna enviada aos colegas: “Agradeço o vosso apoio nesse esforço”.