A diminuição da água disponível no Algarve devido à seca levou a Câmara de Castro Marim a adotar medidas para reduzir consumos em espaços verdes e combater perdas, gerando poupanças entre 20 e 205%, disse a vice-presidente.

A substituição de espécies nos jardins por outras que não necessitam de tanta rega (suculentas e catos), a introdução de contadores com telemetria para monitorizar consumos, a renovação de redes de abastecimento de água com mais de 70 anos ou a utilização de água tratadas na rega de campos de golfe são algumas das medidas, explicou Filomena Sintra.

A vereadora daquele município do distrito de Faro referiu que a “medição de caudal com teleassistência, em zonas de condutas e zonas de abastecimento”, permitem fazer “uma gestão remota” e “perceber se dispara o consumo naquela zona” para depois “bloquear a ligação a determinadas condutas” em caso de ruturas.

Quanto aos jardins e zonas verdes, vai também proceder-se a “colocação de contadores em todos os espaços” e dar capacidade ao sistema de “ajustar remotamente os consumos para, em dias de chuva, não ligar a rega automática”, exemplificou a autarca, frisando que estes investimentos estão avaliados em cerca de 300 mil euros e foram financiados pelo Fundo Ambiental.

Com esta medida nos jardins de Castro Marim e Altura, pensamos poder reduzir 25% dos consumos de água. Nas zonas de medição de caudal, também pensamos reduzir até 20% das perdas com ruturas não detetadas a tempo”, estimou.

Ao mesmo tempo, a Câmara algarvia está a trabalhar na primeira fase da “renovação das redes de abastecimento de água de Castro Marim”, que são “muito antigas, dos anos 1940 e 1950”, e “não têm capacidade de detetar fugas” que “vão para o subsolo” se não forem detetadas à superfície, destacou Filomena Sintra.

A vice-presidente da Câmara espera agora que estes projetos voltem a ter financiamento comunitário, porque a estimativa da autarquia aponta para um investimento “de cinco a seis milhões de euros” para renovar as redes de abastecimento de água do concelho, um valor que considerou ser “incomportável” para municípios de baixa densidade populacional, como Castro Marim.

Num município com muitas povoações dispersas na serra algarvia e com o “problema da desertificação física” do território, Filomena Sintra congratulou-se também com a “construção de 65 quilómetros de condutas” que permitem “alargar a rede [de abastecimento de água] a 32 localidades”, que só dispunham de sistemas de distribuição autónomos municipais e agora contam com pontos de acesso á água proveniente do sistema em alta da Águas do Algarve.

No entanto, ainda há trabalho a fazer, porque “existem sete ou oito localidades, com um número de pessoas significativo, cujos furos este verão secaram” e “há cerca de 10 localidades” que ainda carecem de ligação ao sistema de distribuição em alta e precisam de autorização da tutela, apesar da “boa colaboração que a Câmara tem tido com a Águas do Algarve e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA)”, alertou.

Aquela governante salientou ainda a importância de um acordo que vai permitir “colocar no primeiro semestre de 2021 água da Estação de Tratamento de Águas Residuais de Vila Real de Santo António nos campos de golfe de Castro Marim Golfe e da Quinta do Vale”, celebrado entre a autarquia, a Agência Portuguesa do Ambiente e os dois campos de golfe do concelho.

“Em média, cada campo de golfe terá um consumo médio de 400 mil metros cúbicos de água”, afirmou a autarca, sublinhando que o acordo com estes dois campos vai permitir “reduzir o consumo de água armazenada na ordem dos 800 mil a um milhão de metros cúbicos de água”, porque passarão a ser regados com água proveniente da estação de tratamento, imprópria para consumo humano, mas que pode ser destinada também a regas na agricultura.