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O Conselho Disciplinar Regional do Sul da Ordem dos Médicos (OM) abriu um processo disciplinar a uma das médicas que fundou o movimento Médicos da Verdade depois de o Observador noticiar uma série de mensagens trocadas através da aplicação Telegram e que mostravam os seus conselhos sobre como escapar a um resultado positivo de Covid-19.

A informação é avançada esta quarta-feira pelo Público e será, assim, este o terceiro processo de que é alvo este movimento de profissionais — que é contra o uso de máscaras e a os testes moleculares (PCR) por não os considerarem eficazes. Fonte do Conselho Disciplinar Regional do Sul adiantou ao Público que a OM recebeu diversas queixas relacionadas com o episódio relatado pelo Observador na segunda-feira, tanto por médicos como por cidadãos. Pelo que na habitual reunião ocorrida terça-feira foi decidida a abertura de um novo processo disciplinar à anestesiologista envolvida no caso.

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A presidente do Conselho Disciplinar do Sul da Ordem dos Médicos, Maria do Céu Machado, tinha explicado ao Observador que se entrassem outras queixas relacionadas com estes médicos ou com o movimento a que estão ligados seriam adicionadas aos processos já existentes por se tratarem de situações semelhantes ou relacionadas.

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Maria Oliveira, a médica anestesiologista que foi uma das protagonistas de uma reportagem da TVI sobre “o grupo polémico que contesta os perigos da Covid-19”, tem sido um membro bastante ativo do movimento, com uma participação frequente na plataforma de comunicação do movimento, com vídeos no grupo de Facebook ou nos artigos que escreve para o blogue do movimento — onde defende, por exemplo, que a segunda vaga não existe e que a ilusão criada se deve ao excesso de testes. Uma opinião que contrasta com a subida do número de internamentos em enfermaria e cuidados intensivos, registada nas últimas semanas.

Segundo o Público, até terça-feira existiam dois processos disciplinares a correr no conselho regional do Sul da OM relacionados com elementos do movimento Médicos pela Verdade. Um envolve sete clínicos incluindo Gabriel Branco, diretor do serviço de Neurorradiologia do Hospital Egas Moniz e um dos fundadores do grupo, e Maria Oliveira. O outro só visa Gabriel Branco e está relacionado com o facto deste alegadamente não usar máscara em algumas zonas do Hospital Egas Moniz. Estes dois processos disciplinares estão quase a terminar as diligências de instrução, devendo a primeira decisão ser tomada num plenário do órgão em breve.