Cerca de meia centena de trabalhadores do turismo concentraram-se esta quinta-feira no Terreiro do Paço, em Lisboa, para “dar um murro na mesa”, pedir apoios adequados ao setor e apelar ao diálogo com o Governo.

Pelas 15h00, algumas dezenas de trabalhadores de agências de viagens, alojamento local, animação turística, guias turísticos e intérpretes, entre outros subsetores do turismo, concentraram-se junto a um palco improvisado no Terreiro do Paço, em Lisboa, respondendo ao apelo do movimento “Salvar o Turismo”.

O nosso objetivo principal é dar um murro na mesa, o turismo não aguenta mais indecisões. Queremos chegar ao diálogo, falar com os nossos órgãos de poder, propor medidas que achamos que são efetivamente as mais eficazes para salvar este tecido económico”, disse aos jornalistas o porta-voz do movimento, Tiago André.

Segundo o porta-voz, as medidas como o Apoiar.pt – fundo de 750 milhões de euros disponibilizado pelo Governo para apoiar micro e pequenas empresas — deixam de fora muitos empresários do subsetor do turismo e os empréstimos e moratórias também não são solução, porque aumentam os encargos das empresas no futuro.

Neste momento precisamos de fundos perdidos, uma das nossas bandeiras é o apoio a fundo perdido de 20% da nossa quebra deste ano, comparativamente ao ano anterior”, acrescentou, detalhando que, desses 20%, metade seria para ajudar a capitalizar as empresas e o restante para ajudar os trabalhadores que sofreram perdas de vencimento.

O movimento defende, também, o prolongamento do ‘lay-off’ a 100% pelo menos até setembro de 2021, bem como o prolongamento da isenção da Taxa Social Única (TSU) aos sócios-gerentes, também até setembro do próximo ano.

Estamos aqui a fazer história, o turismo pela primeira vez juntou-se e percebe que estamos a viver uma fase dramática e tem de se atuar já”, apontou Tiago André.

O movimento, mobilizado através das redes sociais, divulgou há alguns dias um manifesto com as suas reivindicações, que já enviou ao Governo por e-mail, mas que, segundo o porta-voz, será agora enviado ao ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, e à secretária de Estado do Turismo, Rita Marques.

A participar na manifestação, Cristina Leal, profissional de informação turística, considerou, em declarações à Lusa, que “as medidas do Governo podiam ser mais incisivas e mais direcionadas para o subsetor do turismo”.

Não podemos comparar um alojamento local que teve 80% de quebras ou um guia intérprete, como eu, que teve 100% de quebras com um cabeleireiro, por exemplo”, acrescentou.

Também Patrícia Oliveira, trabalhadora de uma agência de viagens e de organização de eventos, lamentou que os apoios disponibilizados até ao momento sejam “muito poucos e à base de empréstimos”.

Estive em ‘lay-off’, neste momento estou com horário reduzido a três horas e meia por dia, ainda em teletrabalho, moro sozinha, e o dinheiro, a redução é muito grande, é um sufoco muito grande. […] Está tudo pela hora da amargura”, disse à Lusa.