O cantor e compositor mexicano Armando Manzanero morreu esta segunda-feira aos 85 anos, devido à Covid-19, após vários dias internado num hospital, anunciou a secretária de Estado da Cultura do México, Alejandra Frausto.

A morte de Manzanero motivou palavras de reconhecimento de vários quadrantes na América do Sul, incluindo o presidente mexicano, Andrés López Obrador, que deu por terminada a sua conferência de imprensa matinal ao saber do seu falecimento.

“Enviamos os nossos pêsames aos seus familiares, amigos e todos os cantores e compositores por esta perda tão lamentável para o mundo artístico e já não quero continuar esta conferência de imprensa, que termina em seguida”, disse López Obrador, que fez soar a música “Adoro”, de Manzanero, ao encerrar o encontro com os jornalistas.

Autor de clássicos da música romântica mexicana como “Somos novios”, “Voy a apagar la luz”, “Contigo aprendí”, “Esta tarde vi llover” e “No”, Manzanero era conhecido como o ‘rei’ do romantismo e presidia à Sociedade de Autores e Compositores do México.

Foi internado com Covid-19 na semana passada, na Cidade do México, após completar 85 anos no início do mês, em 7 de dezembro, e entubado poucos dias depois.

A sua última aparição pública aconteceu em 11 de dezembro em Mérida, capital de Yucatán, onde inaugurou o Museu Casa Manzanero.

Deixa um legado incontornável na história da música em espanhol e inúmeros reconhecimentos públicos, como o prémio Grammy de Contribuição em Vida em 2014.

Conhecedor da tradição do Bolero e dono de uma enorme sensibilidade, compôs vários temas que foram interpretados ao longo dos anos por artistas como Elvis Presley, com “It’s impossible”, uma versão em inglês de “Somos novios”, ou Dionné Warwick, Tony Bennett, Alejandro Fernández e Christina Aguilera.

Além de pianista, intérprete e produtor, Manzanero começou a compor em 1950 com “Nunca el mundo” e tem um reportório de mais de 400 canções.

Publicou mais de 30 trabalhos discográficos, tais como “Somos novios” (1968), “Corazón Salvaje” (1977), “Nada personal” (1995) ou “Duetos”, que lhe valeu o Grammy de Melhor álbum vocal pop para grupo ou dueto em 2001.

Com mais de 1,4 milhões de contágios e 122.426 mortos, o México é o quarto país do mundo com maior número de mortes devido à pandemia de Covid-19, atrás dos Estados Unidos, Brasil e Índia.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 1,7 milhões de mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 6.677 em Portugal.