Mário Centeno, ex-ministro das Finanças e atual Governador do Banco de Portugal, é acionista de sete empresas portuguesas, incluindo Benfica e Galp.

A notícia é avançada pelo semanário Expresso, que cita a declaração de interesses que o líder do Banco de Portugal teve de entregar no Banco Central Europeu (BCE). Além de Benfica e Galp, Centeno tem ainda ações na Pharol (antiga PT), NOS, REN, Navigator e ainda Martifer.

No passado, a relação com o Benfica chegou a provocar dores de cabeça ao então ministro das Finanças. Mário Centeno foi duas vezes notícia depois de ter sido revelado que pediu bilhetes ao clube encarnado para ir assistir a jogos de futebol na companhia do filho a partir do camarote do Estádio da Luz.

Mário Centeno justificou sempre os pedidos com a necessidade de salvaguardar a sua segurança. O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa chegou a abrir um inquérito e o Ministério das Finanças foi alvo de buscas por suspeitas de que Centeno tivesse cometido um crime de recebimento indevido de vantagem. A investigação acabaria por ser arquivada, depois de o Ministério Público concluir “pela não verificação do crime de obtenção de vantagem indevida ou qualquer outro”.

Entre agosto de 2014 e dezembro de 2018, o Novo Banco teve perdas de 225,1 milhões de euros com o grupo económico de Luís Filipe Vieira, que é um dos maiores devedores do antigo BES.

Ao mesmo Expresso, quando questionada sobre se estes investimentos trazem limitação em algum dossiê que esteja no supervisor, fonte oficial do Banco de Portugal limitou-se a remeter para aspetos formais do processo. “Todo o procedimento de preenchimento e publicação da referida declaração de interesses foi objeto de prévio acompanhamento e validação por parte dos órgãos do Banco de Portugal e do BCE competentes pelas matérias da ética e da conduta.”