A instalação esta terça-feira na capital do Líbano, Beirute, de um busto do general iraniano Qassem Soleimani, assassinado há um ano pelos Estados Unidos, gerou polémica sobretudo nas redes sociais.

O busto em bronze do general, que como comandante da Força Qods dos Guardas da Revolução estava encarregue das operações no exterior do Irão, foi colocado pelo município de Ghobeiry num reduto do movimento xiita libanês Hezbollah, perto do aeroporto de Beirute, para assinalar o apoio de Soleimani nas guerras do Líbano com Israel.

A indignação que o facto suscitou entre muitos no Líbano é, segundo a agência noticiosa norte-americana Associated Press, a mais recente manifestação da cisão entre apoiantes e opositores do Hezbollah, apoiado pelo Irão.

Alguns libaneses criticaram nas redes sociais a celebração na capital do Líbano de um líder militar estrangeiro. “Beirute ocupado”, escreveu no Twitter Amin Abou Mansour, que escolheu como palavra-chave Beirute Livre – Irão Fora.

Outros lamentaram o que consideraram a hegemonia cultural do Hezbollah e do seu aliado Irão, como Wael Attallah, que apontou uma “agressão cultural (…) ao Líbano”.

“Centenas de milhares de libaneses sentem-se esta quarta-feira 6 de janeiro,  violados e sem poder. A cisão vai ficando maior dia a dia, pouco a pouco”, adiantou.

Os apoiantes do Hezbollah quiseram responder às críticas e criaram a palavra-chave Soleimani é um de nós, para mensagens de apoio ao movimento xiita libanês e à República Islâmica.

A morte de Soleimani num bombardeamento norte-americano junto ao aeroporto de Bagdad a 3 de janeiro de 2020 aumentou significativamente as tensões na região.

No jornal digital Al-Modon, o busto foi considerado um “símbolo de (um) mandato iraniano” no Líbano.

A escultura de três metros encontra-se numa rotunda, numa estrada com o nome do general iraniano e ligada a uma via rápida com o nome do primeiro líder supremo do Irão, o ayatollah Khomeini.

Quem é Qassem Soleimani, o general de elite do Irão morto pelos EUA?