Lembra-se daqueles carros repletos de botões? São para esquecer. A tendência aponta para uma profusão de ecrãs a bordo e, ao que parece, quanto maiores melhor, com os construtores de automóveis a apostarem que as maiores dimensões dos displays são percepcionadas pelo cliente com um indicador de maior sofisticação tecnológica. Basta ver, entre alguns dos exemplos mais recentes, o novo Honda e, o futuro Mercedes EQS ou o concept Imagine da Kia, com os seus 21 ecrãs.

Este é um carro de que se fala apenas pelos ecrãs

Só que substituir comandos físicos e directos por controlos digitais (nem sempre muito intuitivos ou fáceis de aceder) é um risco, na medida em que obriga a retirar os olhos da estrada, colocando em causa a segurança. E nem tudo se “resolve” com comandos por voz. Na Seat, isso não se limita a ser um motivo de preocupação, é também objecto de análise da equipa Smart Quality.

O construtor espanhol quer que o desenho das consolas centrais dos seus futuros modelos agilize a experiência do utilizador, reduzindo o tempo em que o condutor desvia os olhos da estrada, pelo que está a determinar qual será a melhor localização, o tamanho mais adequado e o esquema mais eficiente para distribuir a informação. Em síntese, o objectivo de incrementar a segurança só se consegue “humanizando as interfaces”, realça o responsável do departamento de Smart Quality da Seat, Rubén Martínez.

Este é o painel frontal do Mercedes EQS: tem 1,41 m de largura

Para isso, o fabricante de Martorell desenvolveu um inovador sistema que lhe permite ver o que o condutor está a ver. Trata-se de uns óculos Eye-Tracker, dotados com uma câmara no centro da moldura e sensores de infravermelhos nos cristais. “Os sensores detectam a posição exacta da íris em cada momento, enquanto se regista tudo o que o utilizador está a ver”, explica Rubén Martinez. Depois é a vez de um” algoritmo complexo de modelo de olhos 3D” interpretar os dados recolhidos e definir com precisão para onde é que o condutor olhou. A ideia é traçar diferentes perfis de utilização e, na posse dessa informação, conceber soluções que propiciem “uma interacção mais intuitiva e segura” com dispositivos como o sistema de infoentretenimento.

Temos de garantir o tempo mínimo de interacção com o ecrã e, para isso, a informação deve estar onde, intuitiva e naturalmente, os utilizadores a procuram”, sublinha Martinez.

Os testes que permitirão obter dados mais precisos, ao contrário do que acontecia até agora, vão arrancar com o Leon, sendo pedido aos condutores envolvidos neste programa-piloto para, por exemplo, aumentar a temperatura ou mudar a estação de rádio. A parte do ecrã para onde olharam imediatamente, quanto tempo demoraram a fazê-lo e quantas vezes olharam para a estrada enquanto interagiam com o dispositivo são depois analisados. E a conclusão a que chegarem os técnicos deverá conduzir a soluções simultaneamente mais friendly e seguras.