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Marcelo preocupado com abstenção pandémica mas garante que "não deslegitima" próximo Presidente /premium

Fora do terreno, candidato teme abstenção. Com a pandemia a mandar ficar em casa exceto no dia 24, o valor pode vir a ser histórico. Seja como for não macula quem se seguir em Belém, defende-se.

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Não há abraços, caça-se com selfies à distância. Mas em campanha ainda não se viu nada do político que as institucionalizou.

LUÍS FORRA/LUSA

Não há abraços, caça-se com selfies à distância. Mas em campanha ainda não se viu nada do político que as institucionalizou.

LUÍS FORRA/LUSA

A 7 de dezembro de 1980, três dias depois de ter morrido o primeiro-ministro Sá Carneiro quando se deslocava para uma ação da campanha presidencial, o país registou a taxa de abstenção mais baixa de sempre numa corrida a Belém: 15,61%. Uma miragem numa altura em que metade da população recenseada fica em casa, mesmo quando lhe é pedido o contrário. E as eleições do dia 24 trazem um problema adicional, acontecem em pleno confinamento geral por causa da pandemia e a abstenção pode ser ainda mais expressiva. E se for a pior de sempre, acima dos 60%, o vencedor tem menos legitimidade? Não, argumenta o candidato melhor colocado nesta corrida.

“Não deslegitima. Em democracia as abstenções fazem parte do processo”, assegura ao Observador Marcelo Rebelo de Sousa que parte em vantagem nas sondagens e no reconhecimento público fruto de uma longa vida de atividade política intensa — no PSD ou no comentário político –, mas também dos últimos cinco anos de Presidência. Ironicamente, “o Presidente dos afectos” recandidata-se com a prática dos afectos em baixa, ou pelo menos a sua demonstração. O distanciamento físico obrigatório e a proibição de ajuntamentos são especialmente nocivos para um candidato que faz do contacto mais próximo a sua principal arma política — e que nesta eleição não terá. E, além disso, no dia dos votos as limitação podem desmobilizar das urnas.

A história tem mostrado uma abstenção nas Presidenciais sempre crescente que, desde que bateu nos 50% (em 2001, na reeleição de Jorge Sampaio), apenas por uma vez se distanciou desse valor: na primeira eleição de Cavaco Silva, em 2006, tendo ficado em 38,37%. Esse ano a campanha presidencial foi muito disputada, com o PS dividido entre o candidato apoiado oficialmente, Mário Soares, e Manuel Alegre, e quando a disputa aquece, mais o eleitorado se mexe. Rima e tem mais prática a demonstrá-lo, basta olhar para o que aconteceu em 1986.

Desta vez a disputa também é grande, mas a pandemia é “uma situação tão anómala” que Marcelo Rebelo de Sousa nem arrisca previsões, apenas avisa que é “na situação de dupla crise que é mais importante e intervenção política” e por “dupla” entende a crise sanitária e as crises económica e social que dela decorrem.

Num cargo onde o poder de influência é uma arma de peso na relação com o Governo, Marcelo Rebelo de Sousa afasta que uma fraca participação eleitoral possa tirar força ao mandato do eleito. Prepara o seu próprio caminho e assegura que a leitura que faz é que uma abstenção ainda mais reforçada do que a pior de sempre — e foi em 2011, na reeleição de Cavaco Silva, cinco anos antes da candidatura de Marcelo — “não deslegitima”.

Certo de que este é o adversário mais traiçoeiro que terá pela frente, o candidato evita imediatamente que este raciocínio sirva — também ele — para desmobilizar eleitores. O “está ganho” é um inimigo perigoso e Marcelo avisa que “quem quer fortalecer a democracia e aumentar a influência em tempo de crise, é votar”. “Tem sete razões diferentes”, diz apontando não só para si como para os adversários que se alinham nessa corrida.

Quando a maioria dos portugueses estiver a votar, Marcelo estará a percorrer os mais de 400 quilómetros que separam Celorico de Basto (onde está recenseado e vai votar) da sua casa em Cascais (onde acompanhará a noite eleitoral). Teme a abstenção, mais do que qualquer adversário e sabe que é ela que pode determinar se conseguirá estar mais próximo dos 60% que as sondagens indicam, ou mais colado aos 2,4 milhões de votos que arrecadou em 2016, vencendo as eleições com 52%. Nesse dia, há cinco anos, a abstenção foi de 48,66%, mas desta vez tem um adversário à direita, ao contrário do que aconteceu então.

Marcelo está também convencido, segundo sabe o Observador, que a campanha não tem uma influência decisiva nestas eleições. O candidato acredita que quem estava indeciso já orientou o seu voto há um mês e já tem a cabeça feita para um dos sete candidatos ou para nenhum. Isto, mesmo quando é confrontado pelos seus mais próximos com a sua prestação nos debates, nomeadamente frente aos adversários mais diretos (Ana Gomes e André Ventura). Pode ter-se saído bem, mas o Presidente-candidato mantém que nesta fase já não há muito a alterar. Uma tese ou um baixar de expectativas na defensiva?

A sua campanha tem sido, já se sabe, inexistente, e só promete ganhar alguma forma na recta final do período oficial (para a semana), ou seja, com iniciativas que não passem por debates ou entrevistas, ambientes mais controlados para qualquer político mais experiente e hábil. Certo é que os imprevistos de campanha também não têm grande terreno para se atravessarem no caminho de qualquer um dos candidatos no atual contexto.

Bom, para Marcelo a sua rotina de testagem para o SARS-CoV-2 (que cumpre, em média, de dois em dois dias antes de fechar a sua agenda presidencial) tem trazido sobressaltos suficientes, mas isso são contas de outro rosário. Ou do mesmo, já que o têm mantido afastado de um terreno pouco propício à sia prática de eleição, os tais afectos.

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