A Comissão Europeia quer promover uma “forte dimensão social” na cimeira de maio no Porto, no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, defendendo o enfoque nos jovens, que enfrentam um “período difícil” devido à crise da Covid-19.

Estamos agora a preparar a cimeira social do Porto. Vai ser um momento muito importante, não só por causa do plano de ação e do pilar dos direitos sociais, mas para mostrar que, durante esta crise e esta altura de tremendas e aceleradas mudanças, nós temos de construir uma dimensão social mais forte“, afirma o comissário europeu do Emprego e Direitos Sociais, Nicolas Schmit, em entrevista à agência Lusa e outros meios de comunicação social europeus, em Bruxelas.

Numa alusão às prioridades da presidência portuguesa da União Europeia (UE), o responsável vinca que “não é possível fazer uma transição ecológica nem promover a digitalização da economia sem construir totalmente a dimensão social: empregos, empregos com qualidade e direitos e proteção social”.

Assim, para o comissário europeu da tutela, a cimeira social do Porto será “um momento em que todos estes compromissos têm de ser repetidos, também de forma concreta”.

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Ainda assim, “há um assunto ao qual devemos estar atentos que é a situação dos jovens perante esta crise, não só em termos de emprego, mas de forma geral, todos os que estudam, os jovens que têm dificuldades”, destaca Nicolas Schmit.

Isto é algo que deve estar em agenda e no qual devemos trabalhar porque se não encontrarmos as soluções certas, isto deixar-nos-á com uma geração de jovens que não se esquecerá deste período tão difícil”, insiste o comissário europeu, perante questões levantadas pela Lusa na ocasião.

De acordo com estatísticas comunitárias, os jovens estão a ser dos mais afetados com a atual crise da Covid-19, dado serem dos que mais têm contratos temporários e precários e estarem, muitas vezes, empregados em setores como o turismo, comércio e restauração.

Uma das grandes prioridades da presidência portuguesa é a agenda social, estando prevista para maio a aprovação do futuro plano de ação do Pilar dos Direitos Sociais, um texto não vinculativo de 20 princípios para promover os direitos sociais na Europa aprovado em Gotemburgo (Suécia) em novembro de 2017.

Adotado há três anos, o Pilar dos Direitos Sociais defende um funcionamento mais justo e eficaz dos mercados de trabalho e dos sistemas de proteção social, nomeadamente ao nível da igualdade de oportunidades, acesso ao mercado de trabalho, proteção social, cuidados de saúde, aprendizagem ao longo da vida, equilíbrio entre vida profissional e familiar e igualdade salarial entre homens e mulheres.

A Comissão Europeia está a preparar a sua proposta para o plano de ação e deve apresentá-la formalmente dentro de semanas, cabendo à presidência portuguesa conduzir o debate e negociar um compromisso entre os 27 que permita ‘fechar’ um acordo em maio, aquando da cimeira social no Porto.