“A magia começou” no país que lidera o ranking da vacinação contra a Covid-19 em proporção do número de habitantes. Com 80% das pessoas com mais de 60 anos vacinadas a 6 de fevereiro, Israel registou — nesta faixa etária — uma descida na ordem dos 50% no número de casos, reportou menos 36% hospitalizações associadas à Covid-19 e menos 29% de internamentos em unidades de cuidados intensivos (UCI) face aos números de há 28 dias.

Os dados são avançados por um estudo (ainda em revisão) encabeçado por Eran Segal do Instituto de Ciências Weizmann, que comparou os dados dos dois confinamentos levados a cabo em Israel  — o de setembro e o de janeiro — e relacionou-os com a campanha de vacinação que arrancou no país em dezembro de 2020.

Tal como a maioria dos países, Israel estabeleceu grupos prioritários para a vacinação. Os primeiros a ser inoculados foram cidadãos com mais de 60 anos, residentes e trabalhadores em lares de idosos, profissionais de saúde e pacientes com comorbilidades severas. E isso pode explicar o porquê de o número de pacientes Covid internados com mais de 60 anos ter sido pela primeira vez inferior ao daqueles que têm entre os 0 e os 59 anos, revelou o autor do estudo no Twitter, que também descreveu o processo como “a magia começou”.

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A análise também comparou cidades que receberam primeiro as vacinas contra a Covid-19 com aquelas que as receberam mais tarde. Nos locais onde se vacinou mais cedo, houve uma diminuição de 60% dos casos e um decréscimo de 37% de pacientes com quadros clínicos graves. Por sua vez, onde a inoculação começou mais tarde houve uma redução de 36% nos casos e de 17% em internamentos em UCI.

Até ao momento, já foram inoculadas (pelo menos com uma dose da vacina da Pfizer/BioNTech) 3,5 milhões de pessoas — metade dos israelitas que podem ser vacinados.

O estudo mostra, no entanto, que a desejável imunidade de grupo ainda está longe, bem como a descompressão dos serviços de saúde. Apesar de ter havido uma diminuição de 18% dos casos em pessoas com menos de 60 anos (que foram vacinadas mais tarde), houve um aumento nessa faixa de etária de 10,5% nas hospitalizações e uma subida de 32% de pacientes em UCI.

Os autores do estudo reconhecem, no entanto, limitações à análise e salientam que os números apresentados pelo ministério da Saúde israelita, que serviram de base a este estudo, poderão estar dependentes, entre outros, da capacidade da testagem e da política de hospitalização levado a cabo por cada hospital.

Apesar de ser ainda uma análise preliminar, os investigadores garantem: os dados “demonstram os primeiros sinais da eficácia de uma campanha de vacinação nacional”.