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A razão de Ancelotti: Liverpool perde quarto jogo seguido para a Premier e cai em casa com o Everton mais de 20 anos depois

Ancelotti tinha lançado os dados e ganhou a aposta: Everton venceu em Anfield pela primeira vez desde 1999 e o Liverpool sofreu 4.ª derrota seguida na Premier (0-2), podendo ficar a 19 pontos do City.

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O capitão Jordan Henderson saiu lesionado ainda durante a primeira parte

POOL/AFP via Getty Images

O capitão Jordan Henderson saiu lesionado ainda durante a primeira parte

POOL/AFP via Getty Images

Outubro de 2010, Goodison Park. O Everton de David Moyes recebia o Liverpool de Roy Hodgson. De um lado, estavam nomes como Tim Howard, Phil Neville e Yakubu; do outro, Raúl Meireles, Steven Gerrard e Fernando Torres. Tim Cahill abriu o marcador na primeira parte, Mikel Arteta (o atual treinador do Arsenal) aumentou a vantagem na segunda. Foi a última vez que o Everton venceu o dérbi de Merseyside ao Liverpool. 

Setembro de 1999, Anfield. O Liverpool de Gerárd Houllier recebia o Everton de Walter Smith. De um lado, estavam nomes como Jamie Redknapp, Robbie Fowler e Michael Owen; do outro, Richard Dunne, Abel Xavier e John Collins. Kevin Campbell fez o único golo do jogo logo ao quarto minuto e sentenciou uma partida em que os reds acabaram com nove jogadores. Foi a última vez que o Everton venceu o dérbi de Merseyside ao Liverpool em Anfield. 

A primeira seca já tem quase 11 anos, a segunda já leva praticamente 22 anos. Este sábado, Carlo Ancelotti acreditava que podia comprar uma espécie de pacote dois por um e entrar os livros de história recente do Everton. “Claro que queremos ganhar cada dérbi. Há já muito tempo que o Everton não venceu um e a melhor altura pode ser amanhã. Pode ser, mas dependerá do que faremos em campo e apenas disso. Penso que não estamos pressionados. Estamos melhor agora do que no ano passado, por isso, acho que temos oportunidade de conseguir um resultado positivo”, disse o treinador italiano na antecâmara da partida, sem referir o momento mais complicado que o Liverpool atravessa a tê-lo claramente no subsconsciente.

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O Liverpool chegava ao dérbi do rio Mersey depois de três derrotas consecutivas para a Premier League, contra Brighton, Manchester City e Leicester, e já fora dos cinco primeiros lugares da tabela. A meio da semana, porém, a equipa de Jürgen Klopp alcançou uma vitória importante para a Liga dos Campeões, ao bater o RB Leipzig, e arrecadou alguma bagagem positiva para receber o Everton este sábado. Ainda com uma lista impressionante de baixas devido a lesões, o treinador alemão já podia contar com Naby Keita, que recuperou, mas mantinha-se sem Fabinho, James Milner e Diogo Jota, três nomes que devem voltar às opções nas próximas semanas. Assim, e tal como tem sido habitual, Henderson era adaptado a central ao lado do reforço Ozan Kabak e Curtis Jones fazia companhia a Wijnaldum e Thiago no meio-campo. Do outro lado, André Gomes, James e Richarlison eram titulares, com Calvert-Lewin a começar no banco.

O Everton começou o jogo praticamente a ganhar. Logo ao terceiro minuto, depois de alguns ressaltos em que o Liverpool não conseguiu ser mais forte, James recuperou a bola e tirou um passe em profundidade para as costas da defesa dos reds. Richarlison ganhou na velocidade, não acusou o acompanhamento de Kabak e atirou cruzado para bater Alisson (3′). O avançado brasileiro voltava aos golos na Premier League, sendo que não marcava há 12 jornadas. Depois de abrir o marcador, o Everton recuou de forma natural e ofereceu a iniciativa ao Liverpool, que foi tentando chegar ao empate: Henderson rematou de primeira para uma enorme defesa de Pickford (20) e Trent Alexander-Arnold, logo depois, também tirou um pontapé de fora de área para outra defesa apertada do guarda-redes inglês (21′).

Durante este tempo, porém, era possível perceber qual é, nesta altura, o grande problema de Jürgen Klopp. Face às lesões dos centrais titulares — Van Dijk, Joe Gomez e Matip — e até do jogador que mais facilmente é adaptado à posição, Fabinho, o treinador alemão tem sido forçado a recuar o capitão Henderson para o eixo defensivo. Ora, o problema é que, ao tirar Henderson no meio-campo, Klopp perde o pêndulo que foi crucial na época passada, perde a solidez defensiva e o critério ofensivo. No setor intermédio, porém, a solução encontrada pelo técnico mantém-se algo incompreensível e com poucos frutos: Wijnaldum joga a ‘6’ e Thiago mais à frente, a ‘8’, ficando a ideia de que o contrário seria mais produtivo, entre o caráter mais defensivo do espanhol e a influência ofensiva do holandês. No meio disto tudo, contudo, era claro que ter Henderson, fosse ou fosse, era sempre melhor do que não o ter. Mas o azar, esta época, tem mesmo sido o grande adversário do Liverpool.

Ainda antes de estar cumprida a meia-hora inicial, Henderson sofreu uma dor muscular durante uma aceleração e caiu de imediato no chão. Klopp sorriu de forma irónica, consciente de que tinha acabado de perder o capitão, o médio inglês ainda voltou ao relvado mas acabou por não aguentar. Saiu e foi substituído pelo jovem central Nathaniel Phillips. Pouco depois, Coleman esteve perto de aumentar a vantagem, ao cabecear na sequência de um cruzamento de Digne (33′), e o recém-entrado Phillips teve na cabeça a última oportunidade do Liverpool na primeira parte, com um desvio à malha lateral depois de um livre (28′). Os reds iam para o intervalo com mais posse de bola e mais remates — mas o Everton estava a ganhar bem porque estava a defender bem, a ser mais forte fisicamente no meio-campo e totalmente eficaz no ataque.

No início da segunda parte, nenhum dos treinadores fez alterações mas Klopp protagonizou um momento curioso: já depois de os jogadores realizarem um pequeno exercício de reativação muscular, junto à linha lateral, o treinador entrou no relvado, juntou a equipa e ainda deu algumas indicações, terminando o que tinha acabado de dizer no balneário. A primeira ocasião mais relevante do segundo tempo foi do Liverpool, com um cabeceamento de Mané para as mãos de Pickford (47′), e ficava a ideia de que os reds tinham regressado melhor do intervalo. O Everton não pressionava alto e preocupava-se principalmente com a defesa da profundidade e das costas da defesa, com a linha mais recuada a movimentar-se em bloco e sempre alinhada com a baliza.

Mané, com outro cabeceamento mas desta feita por cima da trave (50′), voltou a ameaçar a baliza dos toffees mas o Everton começou a afastar a pressão mais intensa depois dos 10 minutos iniciais da segunda parte, espaçando os setores sem nunca agitar o bloco defensivo. Carlo Ancelotti mexeu pela primeira vez à passagem da hora de jogo, ao trocar André Gomes (que já tinha cartão amarelo) por Sigurdsson, e parecia ter o objetivo de ajudar a equipa a resguardar a bola sempre que a conseguia ter. O treinador italiano lançou Calvert-Lewin logo depois, tirando James, e Klopp respondeu com a entrada de Shaqiri para o lugar de Curtis Jones.

Até ao fim, o Liverpool continuou a ter mais bola e a estar sempre mais perto da área de Pickford mas não conseguia criar verdadeiras ocasiões de perigo, permanecendo sempre algo apático e sem os níveis competitivos exigidos. O Everton foi gerindo o resultado, sempre com especial atenção à defesa da profundidade, e acabou por garantir a vitória graças a uma grande penalidade cometida por Alexander-Arnold sobre Calvert-Lewin e convertida por Sigurdsson (83′). Carlo Ancelotti, na antevisão, tinha razão: o Liverpool perdeu o dérbi de Merseyside em casa pela primeira vez desde 1999, perdeu com o Everton pela primeira vez desde 2010 e perdeu pela quarta vez consecutiva na Premier League, podendo agora ficar a 19 pontos da liderança do Manchester City.

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