O Benfica anunciou esta terça-feira que não irá participar nos Nacionais de Pista Coberta, que se realizam este fim de semana em Pombal. Através de um comunicado oficial, o clube justifica a decisão, tomada pela Direção liderada por Luís Filipe Vieira e que tem Fernando Tavares como vice para as modalidades, pelos vários pontos que não estão salvaguardados pela organização da prova entre outros reparos como a calendarização da competição. “A saúde tem de estar primeiro e ser a prioridade máxima para todos os intervenientes e envolvidos numa organização desta dimensão”, justifica logo a abrir o texto deixado pelos encarnados no seu site oficial.

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“Congratulamo-nos pela histórica jornada do passado fim de semana, com três medalhas de ouro alcançadas para Portugal nos Europeus de Atletismo em Pista Coberta (…) Mas viver o atletismo, promover a modalidade e manter inatacável a ambição de vencer não se pode resumir a entrar numa pista e dar o melhor. Num momento em que Portugal ainda está debaixo das contingências de um confinamento que todos devem respeitar e, em simultâneo, contribuir com boas práticas que minimizem possíveis contágios e novo descontrolo da pandemia, várias tentativas de contacto, e por diversas vias, foram feitas pelo clube ao longo das últimas semanas, no sentido de perceber junto da Federação Portuguesa de Atletismo que medidas de segurança vigorariam nesta importante competição”, explica o comunicado das águias, feito a poucos dias da prova em Pombal.

“As respostas às preocupações – de todos, queremos acreditar, porque é a credibilidade da modalidade e a verdade desportiva que também estão em causa – foram escassas e completamente inconclusivas, o que levou a Direção do Benfica a esta decisão. Continuamos sem saber que medidas sanitárias existirão para todos os envolvidos; haverá testagem, por exemplo? Continua a não estar claro em que moldes se desenrolará a competição; ontem – por pressão da Câmara Municipal de Pombal – terá sido decidido dividir a prova em duas pistas e não colocar toda a pressão na população de Pombal. Também a data para este Campeonato Nacional é completamente desajustada – logo após um Europeu – e não terá tido a devida reflexão por parte da FPA”, aponta o Benfica.

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“Ninguém está imune a esta pandemia, mas o Benfica tem dirigido todos os esforços para fazer a sua parte, testando com regularidade os atletas e equipas nas diversas modalidades. É este o foco, através do Human Performance Department (HPD), em coordenação com as normas da Direção-Geral da Saúde, desde março de 2020. Com a máxima ambição, o Benfica gostaria de voltar a estar em pista. Mas o risco não pode justificar os objetivos sócio-desportivos. Noutros países, as provas nacionais têm decorrido, mas sempre com testes, tal como, aliás, sucedeu neste Europeu de pista coberta, em Torun (Polónia), que consagrou Pichardo, Mamona e Dongmo”, acrescenta ainda o texto que explica a decisão sobre a a ausência das equipas masculina e feminina.

“Nas competições desportivas – e um Campeonato Nacional deve ser máximo exemplo –, a Direção do Benfica, em consonância com parecer do HPD do clube, entende que as melhores práticas devem ser seguidas, porque é a saúde pública que está em causa. Não nos parece realista acreditar que se criem e apliquem normas sanitárias eficazes e rigorosas em tempo útil para todos os competidores, a poucos dias da data definida”, conclui.

De recordar que o Benfica tem sido um crónico candidato à vitória nos Nacionais de Pista Coberta. Em 2020, na última edição, os encarnados sagraram-se tricampeões nacionais masculinos com mais 11 pontos do que o Sporting, somando assim o seu oitavo título nos últimos nove anos, altura em que iniciaram a hegemonia que ainda hoje se mantém no quadro masculino. Já a equipa feminina não marcou presença no último ano, após o segundo lugar alcançado em 2019 numa prova há muito dominada pelo Sporting, que ganhou todos os títulos desde 1995 à exceção de 2010, quando o FC Porto surpreendeu a equipa verde e branca por 13 pontos.