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Marcelo Rebelo de Sousa continua a descolar do Governo na atual estratégia de gestão da pandemia. Em declarações ao Expresso, o Presidente da República diz que “precisamos de uma narrativa diferente” e que é errado não só falar em quarta vaga, como voltar a fechar o país.

Segundo o semanário, em vez das ameaças de um novo confinamento, Marcelo Rebelo de Sousa prefere que o país acelere a vacinação (e cumpra a meta das 100 mil vacinas por dia), repense os prioritários (e tenha atenção à vacinação dos jovens, uma faixa etária onde se concentram a maioria dos infetados) e se foque mais na testagem e nos rastreios.

O Chefe de Estado já tinha excluído um regresso ao estado de emergência, e voltou a fazê-lo no domingo passado. “Está fora de causa regressar ao estado de emergência, em qualquer caso”, disse. Ao jornal, fonte próxima do Presidente defende que “o carácter casuístico dos critérios” usados pelo Governo — dando o exemplo de que na Feira da Agricultura estiveram milhares de pessoas, enquanto que na final de râguebi a DGS recusou o pedido para a presença de 500 adeptos— “teve consequências: uma parte da população descolou e isso é irreversível, já não recua”. Em causa estão os jovens, com o Presidente a considerar que não tem sentido ameaçar “com o que não existe”, já que este grupo não levaria a sério um novo recuo.

Marcelo também não concorda que mesmo a variante Delta seja justificação para voltar a confinar e rejeita comparações com a decisão de Boris Johnson de adiar um mês o desconfinamento no país, já que no Reino Unido os bares estão abertos e os estádios com meia lotação — realidade muito diferente em Portugal. “O nosso desconfinamento é mais confinado do que o confinamento deles”, diz fonte de Belém.

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O Presidente da República e o primeiro-ministro já tinham divergido publicamente da forma como esta fase da pandemia está a ser gerida. Marcelo tinha garantido que Portugal não voltaria a um confinamento “naquilo que depender do Presidente da República”. António Costa respondeu-lhe: “Se alguém pode garantir [que não se volta atrás no desconfinamento]? Não, creio que nem o senhor Presidente da República seguramente o pode fazer, nem o fez”, sublinhou, um dia depois.

Mais tarde, na terça-feira, quis pôr fim ao “mal entendido”: “Não há conflito nenhum, como nunca tem havido. Nem sempre temos de pensar o mesmo, mas nunca houve ação desarticulada no combate à pandemia”.

Costa responde a Marcelo: “Ninguém pode garantir que não se volta atrás no desconfinamento”