À medida que as frentes de incêndio avançam através dos mais de 1.600 quilómetros quadrados que compõem o Parque Nacional da Sequoia, no sul da Sierra Nevada, os bombeiros vão pensando em formas alternativas para tentarem proteger as suas árvores gigantes e milenares.

A General Sherman, conhecida por ser a maior árvore do mundo em volume, noticiou esta sexta-feira a Associated Press, tem neste momento a base, de 31,3 metros, enrolada em vários cobertores de alumínio anti-fogo. Como ela, várias outras sequoias, o Museu da Floresta Gigante e outros edifícios do parque, que esta semana teve de ser evacuado, foram igualmente protegidos por este material, na tentativa de que se mantenham incólumes, mesmo que o fogo acabe por atingi-los, anunciou Rebecca Paterson, a porta-voz do parque.

Neste momento são dois os incêndios ativos na floresta; as autoridades esperavam que um deles chegasse à área da Floresta Gigante, onde existem cerca de duas mil sequoias tão altas como arranha-céus, algures esta quinta-feira — algo que ainda não aconteceu. A tática de proteger edifícios e outros bens com este tipo de material, resistente a temperaturas intensas mas apenas durante curtos períodos de tempo, tem sido utilizada pelas autoridades federais americanas nos últimos anos em todo o oeste dos Estados Unidos.

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Frequentes naquela região durante os meses de verão, os incêndios florestais têm sido combatidos no Parque Nacional da Sequoia sobretudo através de queimadas controladas, que deixam a zona da base das sequoias, que podem atingir os 3 mil anos, limpas de vegetação e outras árvores mais pequenas, combustíveis preferenciais para os fogos. Ao longo dos últimos 50 anos a tática tem resultado mas, dizem os cientistas, com as alterações climáticas têm chegado ondas de calor muito mais fortes que, aliadas à seca na região, têm dado origem a incêndios mais violentos e destrutivos e tornado a tarefa dos bombeiros cada vez mais complicada.

Em 2020, de acordo com os serviços do Parque Nacional, arderam entre 7.500 e 10.600 árvores gigantes. Este verão, em toda a Califórnia, os fogos florestais já devastaram 9.195 quilómetros quadrados e destruíram centenas de casas.