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Era uma questão quase obrigatória: depois da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos, seria esta vitória nos Mundiais de canoagem em Copenhaga uma “vingança”? Fernando Pimenta não levou propriamente a questão para esse patamar mas, nas palavras e nos gestos, sentiu que estava a dar mais uma resposta a quem ainda duvida da capacidade ser o melhor dos melhores nas grandes provas. E foi por isso também que festejou de forma efusiva o primeiro lugar no pódio. Tão efusiva que houve mesmo um percalço. 

Ganha, ganha e quer ganhar mais: Fernando Pimenta sagra-se campeão do mundo de K1 1.000 pela segunda vez

Depois de um salto à Ronaldo quando festeja os golos para assumir o lugar mais alto do pódio, Pimenta foi puxando pelo ritmo dos cânticos na bancada visivelmente emocionado pelo segundo título mundial em K1 1.000 mas a medalha não ajudou e, depois de ser colocada ao pescoço pelo próprio, acabou por cair porque a fita se descolou na parte de trás – e com o hino nacional quase a começar. O bielorrusso Aleh Yurenia acabou por remediar a situação, dando um nó nas pontas da fita que se tinham soltado e fazendo com que o português ouvisse o hino com esta solução de recurso para não ter de estar a agarrar na medalha. Tudo solucionado, parte protocolar despachada, descanso para a próxima final de K1 5.000.

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“Sinto muito orgulho no que fizemos, foram cinco anos de um ciclo olímpico muito duro em que tivemos de trabalhar imenso e conseguir um segundo título mundial nesta categoria é algo fantástico, que me deixa muito motivado por ter conseguido vencer ao atual campeão olímpico [Balint Kopasz]. Vamos continuar agora o nosso trabalho, temos amanhã [domingo] os 5.000 metros, os últimos cinco quilómetros da época para conseguir uma boa performance”, contou à Rádio Observador depois da prova.

[Ouça aqui as declarações de Fernando Pimenta à Rádio Observador após a vitória]

“Título mundial é fantástico”. A reação de Fernando Pimenta depois da medalha de ouro

Apesar da alegria pela décima medalha em Mundiais, a quarta de ouro e segunda nesta categoria, o atleta de Ponte de Lima que após os Jogos Olímpicos chegou mesmo a equacionar a presença ou não na prova pelo desgaste que já levava de um ciclo olímpico maior do que o normal falou também da resposta a alguns críticos que continuam à espera dos seus insucessos, sobretudo a nível de Jogos. Foi isso que admitiu, a propósito do novo duelo que travou com o húngaro Balint Kopasz, campeão olímpico e europeu.

“Se há atleta com quem dá gosto conversar e competir é o Balint, um atleta novo, bastante humilde e dá gosto porque queremos dar o melhor espectáculo desportivo apesar de cada um querer vencer. Esta é também a forma de demonstrar a algumas pessoas que se calhar estavam à espera que o Fernando Pimenta falhasse o pódio nos Jogos Olímpicos, porque infelizmente há essas pessoas, que o Fernando Pimenta num dia bom consegue vencer e já provei isso várias vezes, esta prova é mais uma”, sublinhou.

Já tinha a prata, foi bronze mas acabou a bater com a pagaia por querer mais. E é isso que faz de Pimenta um super atleta de ouro

“Espero que seja para continuar. Agora é dar tudo por tudo na final de amanhã, fazer uma excelente prova e depois descansar, a seguir a isso é que vamos pensar na próxima época”, finalizou à Rádio Observador, antes de acrescentar mais tarde a importância da medalha de ouro na ressaca das emoções do Jogos.

“Olhava para a linha de meta com o objetivo de um dia a minha família e a minha filha dizerem que valeu a pena aqueles momentos de sacrifício longe deles, abdicar de tudo e de todos e trabalhar com o meu treinador, que sempre acreditou que este título era possível. este ouro sabe muito bem. Foram anos muito difíceis, muito duros. Sempre a tentar inovar, melhorar, com alguns altos e baixos. Aprendemos com alguns momentos mais baixos, mais duros. Esta última fase de treino após os Jogos Olímpicos foi muito complicada”, salientou Fernando Pimenta entre mais agradecimentos ao treinador Hélio Lucas.