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A Polícia Judiciária, em parceria com as autoridades espanholas, intercetaram um veleiro com 24 metros de comprimento no Oceano Atlântico com 183 fardos de cocaína com um peso superior a 5,2 toneladas a 300 milhas da costa portuguesa. É a maior apreensão desta droga em Portugal nos últimos 15 anos e, segundo o diretor nacional da PJ, Luís Neves, a maior apreensão mundial de sempre realizada num veleiro.

A detenção comunicada esta segunda-feira pela PJ acontece depois de, na sexta-feira passada, a polícia espanhola ter anunciado a apreensão de outros 2.500 quilogramas de cocaína ao largo dos Açores. Essa operação não teve intervenção portuguesa, tendo sido independente da noticiada esta segunda-feira: os espanhóis foram auxiliados pelas autoridades britânicas, francesas, colombianas e holandesas.

A operação da semana passada, intitulada “Midas-Ballestrinque”, resultou na desarticulação de uma organização contrabandista que atuava entre a Costa del Sol e o Campo de Gibraltar. Foram detidos os dois tripulantes do veleiro “Goldwasser” e três pessoas em Málaga, uma delas líder do grupo — um homem natural dos Países Baixos com cerca de 60 anos. A organização já estava a ser investigada desde 2019.

As imagens dessa apreensão foram publicadas na conta oficial da Polícia Nacional no YouTube esta segunda-feira e mostram a aproximação dos barcos das forças de segurança ao veleiro, as buscas no interior da embarcação, a detenção dos indivíduos e a contagem do material, que iria ser distribuído em Espanha. Estima-se que aquela quantidade de cocaína tivesse um valor de mercado de 250 milhões de euros. Mas, em operações efetuadas em terra, também foram apreendidas motas, armas e dinheiro vivo.

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Numa outra atuação, já esta segunda-feira, a operação “Maré Branca” da Polícia Judiciária traduziu-se na detenção de três homens, todos estrangeiros, suspeitos de integrarem uma organização criminosa transnacional que trafica grandes quantidades de cocaína entre a América Latina e a Europa. As 5,2 toneladas encontradas no veleiro — e que “não estavam especialmente dissimuladas — iriam ser distribuídas por diversos países europeus, depois de entrarem no continente através da Península Ibérica.

Os três homens detidos são dois espanhóis e um peruano residente em Espanha, apurou a Lusa junto de um responsável da PJ. Um dos detidos, de nacionalidade espanhola, que já foi enviado juntamente com os restantes para interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal para imposição das medidas de coação, já tinha antecedentes criminais por tráfico de droga, referiu o mesmo diretor da UNCTE.

A operação “Maré Branca” foi realizada nos últimos dias através da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes em conjunto com a Unidad de Drogas y Crimen Organizado do Cuerpo Nacional de Polícia de Espanha, assim como com a participação da Marinha e da Força Aérea. Além disso, contou também com a participação do Maritime Analysis and Operations Centre — Norcotics (MAOC-N), com sede em Lisboa, da Drug Enforcement Administration (DEA) dos Estados Unidos da América e da National Crime Agency do Reino Unido.

Em declarações aos jornalistas após a publicação do comunicado de imprensa da PJ, o diretor nacional agradeceu a intervenção das Forças Armadas nesta operação e prometeu que as autoridades estão cada vez mais capazes de combater este tipo de crime: “É uma mensagem contra as organizações criminosas”, disse Luís Neves, dirigindo-se depois diretamente aos seus membros: “Normalmente estamos sempre um pouco atrás de vós”, mas as autoridades têm capacidade de mudar isso “com tempo, com organização e com paciência, com método e com tecnologia”.