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Uma fotografia de Kim Kardashian no Museu Metropolitan de Nova Iorque, em 2018, deu a volta ao mundo e ajudou a descobrir uma fraude com um sarcófago egípcio em exibição. A peça foi devolvida ao Egipto em 2019, mas recentemente o podcast do jornalista Ben Lewis “Art Bust: Scandalous Stories of the Art World” desenterrou a história e esta tornou-se notícia, como no jornal New York Post.

Kim Kardashian não se tornou exploradora e ainda não se trata da carreira de advocacia que ambiciona, mas sim de um talento que a influencer tanto cultiva: posar para fotografias. Numa altura em que as imagens se tornam virais a um ritmo alucinante, e sendo Kim uma verdadeira profissional das selfies e do Instagram, quem diria que seria notícia por ter posado ao lado do sarcófago de Nedjemankh, datado do século I a.C.?

Tudo começou em 2018 na famosa Met Gala, a festa que marca a abertura da exposição de moda anual do Costume Institute, no museu Metropolitan de Nova Iorque. Conhecida como uma das ‘passadeiras vermelhas’ mais importantes do ano, a chegada dos convidados desta festa é um verdadeiro desfile de celebridades de várias áreas da sociedade e, claro, Kim Kardashian também lá estava. A exposição daquele ano chamava-se Heavenly Bodies: Fashion and the Catholic Imagination e mostrava a influência da imagética católica no trabalho de vários designers de moda.

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Seguindo o tema da noite, a influencer usou um vestido dourado, assinado pela casa Versace e, uma vez dentro do museu (onde decorre o jantar e a festa deste evento) posou lado a lado com um sarcófago quase integralmente dourado (tal como ela) para umas fotografias. Uma destas imagens foi captada pelo fotógrafo Landon Nordeman e postada no Twitter na noite do evento.

Segundo o New Yok Post, algures do outro lado do mundo, “um grupo de saqueadores” enviou a fotografia para “um informador anónimo no Médio Oriente” que, por sua vez, encaminhou a mesma imagem para o assistente do promotor público de Manhattan, Matthew Bogdanos, que pediu imagens do túmulo. A procuradoria de Manhattan abriu uma investigação e concluiu que a licença de exportação egípcia tinha sido falsificada e a peça tinha sido vendida ao Museu Metropolitan.

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O informador tinha “desenterrado” o sarcófafo sete anos antes e ainda não havia sido pago pelo serviço. A peça histórica egípcia foi roubada e depois vendida ao museu nova-iorquino por quatro milhões de dólares (mais de três milhões e meio de euros), com documentos falsos.

Em 2019 o sarcófago foi devolvido ao Cairo e o diretor executivo do museu Metropolitan, Daniel Weiss, pediu desculpas ao povo egípcio e ao Ministro das Antiguidades, Khaled El-Enany.