O ministro dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique admitiu esta quinta-feira a possibilidade de o país africano comprar petróleo russo em rublos, caso essa opção seja viável, depois de Moscovo ter apresentado a Maputo disponibilidade para esse mecanismo.

Estou certo de que vamos estudar e verificar a viabilidade dessa oferta [da Rússia], se houver viabilidade, com certeza que [o petróleo russo] será adquirido” em rublos, afirmou Carlos Zacarias.

Zacarias falava esta quinta-feira à comunicação social, à margem do sétimo conselho coordenador do Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que se realiza na província de Gaza, sul de Moçambique.

Aquele governante assinalou que a recetividade de Moçambique à proposta russa decorre do facto de o mundo estar a viver um “momento peculiar”, caracterizado por uma grande volatilidade dos preços do crude no mercado internacional, devido à guerra Rússia-Ucrânia.

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Nesse sentido, prosseguiu Carlos Zacarias, a abordagem das autoridades moçambicanas em relação ao preço do petróleo será determinada pelo comportamento do mercado internacional.

Zacarias negou antecipar-se em relação a um eventual próximo aumento dos preços dos combustíveis, face a vários incrementos já ocorridos este ano.

Relativamente à mexida nos preços dos combustíveis, tem a ver com fatores como a variação no mercado internacional, naturalmente, se essa variação for acima de um nível bem definido, aí poderá haver lugar a uma mexida nos preços dos combustíveis”, declarou.

A proposta de Moscovo foi avançada há uma semana pelo embaixador da Rússia em Moçambique, Alexander Surikov, após um encontro com a CTA – Confederação das Associações Económicas de Moçambique.

O rublo e o metical são dignas divisas que podem ser usadas e não necessitam da benevolência de alguns outros países que controlam o sistema internacional”, declarou, na altura, o diplomata russo, acrescentando que Moscovo quer reforçar a cooperação com Maputo.

Moçambique esteve entre os países que se abstiveram em duas resoluções que foram a votos na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU): uma condenou a Rússia pela crise humanitária na Ucrânia devido à guerra e outra suspendeu Moscovo do Conselho de Direitos Humanos.

A Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, partido no poder) foi um aliado de Moscovo durante o tempo da ex-URSS, tendo recebido apoio militar durante a luta contra o colonialismo português e ajuda económica depois da independência, em 1975.

Segundo dados avançados pela CTA, o volume anual das transações económicas entre Moçambique e Rússia estavam estimadas em, pelo menos, 100 milhões de dólares (98,5 milhões de euros, ao câmbio atual).