O antigo líder do PSD e comentador atirou com intensidade sobre o primeiro-ministro na gestão do caso Endesa. O despacho que condiciona ao visto prévio do secretário de Estado da Energia de todos os pagamentos do Estado à elétrica espanhola é visto como “um ataque inaceitável” de António Costa que revela “tiques de poder absoluto”, afirmou Luís Marques Mendes no seu espaço de comentário semanal na SIC.

A leitura é semelhante à que a direção do PSD manifestou esta semana sobre a mesma decisão, com Mendes a concluir mesmo que “parece que o Estado Novo acabou mas não acabou o espírito do Estado Novo”. O social-democrata diz mesmo que o historial do atual primeiro-ministro mostra como “gosta de atacar as grandes empresas” e elenca casos em que isso se verificou, como o ataque à Altice, em 2017, por causa do SIRESP nos fogos de Pedrógão ou o ataque à Galp, na campanha autárquica, por causa da refinaria de Matosinhos. “É um clássico de António Costa”, conclui Mendes que justifica esta opção de “atacar empresas privadas” por parte do primeiro-ministro socialista com a eficácia em desviar de outros temas e a popularidade que envolve.

Além disso, o comentador diz ainda que o despacho assinado pelo primeiro-ministro também significa um “atestado de menoridade” ao secretário de Estado João Galamba. “É desgraduado”, ao ter de verificar faturas diz o comentador que considera que a decisão torna o governante um “mangas de alpaca”. A decisão foi apoiada pelo Presidente da República esta semana.

Já sobre o estatuto do SNS, promulgado esta semana por Marcelo Rebelo de Sousa (com dúvidas), Mendes dizque a reforma é “uma grande desilusão” e que “é tudo muito vago e genérico” sem trazer respostas para os problemas que se colocam, nomeadamente a saída dos médicos do público para o privado. “Se fosse num governo com sete meses em funções… mas quem está no poder há sete anos, as pessoas querem e merecem respostas concretas”. O comentador diz que agora, além do “caos nas urgências” o país sabe que existe também “incapacidade do Governo para resolver os problemas”.

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E avisa que, na sua opinião, o novo cargo de diretor executivo do SNS, ou é uma “pessoa forte e independente e vai haver um choque com a ministra da Saúde, já que o diretor executivo será um ministro paralelo e isso vai dar asneira” ou não é uma pessoa forte e “só vai complicar”.

O “defeito de fabrico” da bazuca

No comentário aos temas que marcaram a semana, Marques Mendes falou ainda no Plano de Recuperação e Resiliência para apontar o atraso nos pagamentos, que neste momento só vão nos 751 milhões de euros. Mas sobretudo por 90% desse valor ser para o Estado e apenas 10% para as famílias, privados e instituições. “É um defeito de fabrico da nossa bazuca”, concluiu.

O comentador falou ainda nos casos de abusos sexuais na Igreja que têm sido noticiados, mas sobretudo do encontro do cardeal patriarca D. Manuel Clemente com o Papa Francisco. O comentador diz que a Igreja em Portugal tem de “seguir com firmeza as recomendações do Papa” e “não desvalorizar a situação”, incentivado a investigação que está a ser feita pela Comissão Independente.