O chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Valeriy Zaluzhnyi, reivindicou esta quarta-feira a autoria de uma série de ataques perpetrados contra bases russas na península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. E, numa publicação na rede social Twitter, o Ministério da Defesa voltou a apostar no humor para deixar uma ameaça aos ocupantes: é tempo de partir. “A previsão do tempo indica que vai estar muito quente na Crimeia. É tempo para os invasores russos se prepararem para um mergulho. É preciso muita força para nadar até Sochi ou Yeysk (cidades russas)”, pode ler-se na publicação. “Já agora, o Guinness Book pode incluir um novo recorde para o percurso de natação mais longo em águas abertas”, acrescenta.

Num artigo de análise publicado na agência de notícias Ukrinform, assinado em parceria com Mykhailo Zabrodskyi, primeiro Vice-Presidente do Comité de Segurança Nacional, Zaluzhnyi relata ataques “bem sucedidos” na região, incluindo na base aérea russa de Saki.

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As declarações representam uma mudança de atitude na postura da Ucrânia, que até agora negou responsabilidade nos casos, e colocam um desafio à posição do Presidente russo, que já se referiu à Crimeia como uma “terra sagrada”. A região tem importância estratégica, uma vez que oferece apoio logístico às forças russas para manter a ocupação de algumas regiões ucranianas. Além disso alberga a frota russa do Mar Negro e as suas bases aéreas têm sido usadas para lançar ataques contra os militares ucraniano.

Imagens de satélite mostram pelo menos oito aviões russos destruídos na base aérea de Saky

O desafio às autoridades russas tem sido também feito via redes sociais. E com humor. O Ministério da Defesa tem-se mesmo destacado pelos comentários e piadas que tem difundido na conta do Twitter, onde procurar ridicularizar a Rússia. À época da explosão na base de Saky chegou a deixar um conselho aos inimigos: “Respeitem as regras de não fumar”. Logo a seguir partilhava uma imagem com uma grande nuvem de fumo negro e com aquilo que parecem ser cabanas de praia (numa alusão a imagens que mostram pessoas a fugir da praia na sequência das explosões), onde se podia ler: “A presença de tropas de ocupação no território da Crimeia ucraniana não é compatível com a alta temporada turística.”

“Respeitem as regras de não fumar”. Ucranianos gozam com russos sobre explosões na Crimeia

Não se ficou por aí e foi mais longe com um vídeo em que aconselhava os “convidados russos” a partir. Começava por mostrar imagens paradisíacas da Crimeia, a que se seguiam vídeos que mostram vários turistas a fugir da praia no momento de ataques.

“A menos que queiram ter umas férias desagradavelmente quentes, aconselhamos os nossos valiosos convidados russos a não visitar a Crimeia ucraniana. Nenhuma quantidade de protetor solar vai conseguir protegê-los dos efeitos perigosos de fumar em áreas não autorizadas”, pode ler-se na mensagem. No final do vídeo, o Ministério ucraniano deixa uma mensagem clara: a “Crimeia é Ucrânia”.

O presidente da Ucrânia tem repetido por várias vezes que a guerra “começou na Crimeia e deve terminar com a Crimeia” libertada, alertando que não haverá uma paz estável no Mediterrâneo enquanto a Rússia usar esse território como “base militar”.