30 de maio de 2005 será para sempre um dia negro para Beth e Dave Holloway. Até à semana passada, os pais de Natalee, com 18 anos na altura, tinham apenas a imagem da filha a sair de um bar e a entrar num carro com três homens. O resto só podiam imaginar. No entanto, um novo depoimento veio ajudar o casal norte-americano a perceber o que levou ao seu desaparecimento. Mais precisamente o do assassino.

Apesar de os restos mortais nunca terem sido encontrados, Natalee Holloway — que desapareceu há 18 anos em Aruba, ilha nas Caraíbas, enquanto fazia uma viagem com três amigas —, foi dada como morta em 2012. O seu assassino também nunca tinha sido confirmado, mas Beth já sabia o seu nome: Joran van der Sloot.

Suspeito de desaparecimento de Natalee Holloway extraditado temporariamente para os EUA

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“Joran van der Sloot já não é um suspeito na morte da minha filha. Ele é o assassino”, declarou a mãe de Natalee na quarta-feira passada, à saída do tribunal federal de Birmingham, no estado do Alabama (EUA), após ter ouvido a confissão do cidadão neerlandês, citado pela CBS News.

O homem de 36 anos já tinha tentado extorquir Beth em 250 mil dólares por troca de informações sobre o paradeiro de Natalee e confessou o homicídio como parte de um acordo para minimizar a pena. Desta forma, Joran van der Sloot voltou à noite de 30 de maio de 2005 e não poupou detalhes para descrever como tinha assassinado Natalee.

O tal carro em que todos seguiram terá acabado por estacionar numa praia, onde os dois desceram e se deitaram na areia. O que terá começado com alguns beijos, rapidamente evoluiu para um toque abusivo do neerlandês no corpo de Natalee. Esta terá dito que não e pedido para que ele parasse e este contrariou-a.

“Ela acabou por me dar uma joelhada na virilha”, recordou o homem. Perante esta agressão, Joran van der Sloot terá retribuído com pontapés “extremamente fortes” na cara de Natalee, até encontrar um bloco de cimento, que usou para a agredir no mesmo sítio, matando-a instantaneamente.

“Ele disse que, depois de a matar na praia, atirou-a para o mar e que foi a última vez que a viu”, relatou Beth Holloway, acrescentando que a confissão do neerlandês foi verificada por um polígrafo.

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Apesar de van der Sloot ter sido sentenciado a mais 20 anos de prisão por extorsão e fraude, somando à pena de 28 anos que já está a cumprir num estabelecimento prisional no Peru, por outro assassinato — de Stephany Flores, em 2010 —, nunca será julgado pela morte Natalee.

Além de os crimes em Aruba prescreverem depois de 12 anos, o jovem não pode ser extraditado para os EUA, onde esta regra não existe. A acrescentar a isso, as condições do acordo que assinou para poder confessar a morte da norte-americana indicam que os procuradores federais dos EUA não podem utilizar “informações ou provas” contidas na declaração, explica a CNN.

O acordo dizia também que a “mãe de Holloway seria consultada para decidir sobre a ‘exaustividade, exatidão e veracidade das informações e provas’ que ele forneceu sobre a sua filha”.

Como a lei peruana proíbe penas de prisão com mais de 35 anos, é esperando que o homem seja libertado a 10 de junho de 2045, dia em que marca exatamente 35 anos da sua detenção no país.

Apesar de van der Sloot não poder ser julgado pelo homicídio de Natalee, e de ter visto a sua pena ser minimizada pela sua confissão, a família está satisfeita com o desfecho do caso, por ter finalmente percebido o que aconteceu com a filha. “Acabou, finalmente”, declarou Beth.