Rui Rocha, líder da Iniciativa Liberal (IL), reagiu esta terça-feira à notícia avançada pelo Jornal Económico de que o Governo ordenou à Parpública a compra de ações dos CTT numa altura em que estava a ser negociado com os partidos da geringonça o Orçamento do Estado para 2022. A aquisição pública terá sido uma tentativa de obter o acordo do Bloco de Esquerda, já que o partido exigiria a reversão da privatização dos CTT.

“Por pressão do Bloco de Esquerda, um governo socialista terá dado instruções à Parpública para adquirir uma participação nos CTT. Essa participação, de acordo com notícias vindas hoje a público, foi mantida em segredo, não constando sequer dos relatórios de atividade da Parpública”, escreveu no X (antigo Twitter) o líder da IL.

A aquisição pública não teve o efeito desejado, o orçamento não vingou, o que levou à convocação de eleições que decorreram em janeiro de 2022 com a vitória por maioria absoluta do PS. Rui Rocha vem agora pedir explicações inequívocas ao recém-eleito líder do PS. “Pedro Nuno Santos foi durante vários anos o elemento de ligação entre o Governo e os partidos que integraram a geringonça, solução política de que é entusiasta e que admite reeditar. Que papel teve nesta operação? Considera-a transparente e minimamente vantajosa para os portugueses?”, questiona, alertando para a urgência em que o socialista “venha explicar aos portugueses todas estas questões”.

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Governo ordenou à Parpública compra de ações dos CTT durante negociações para Orçamento de 2021

O liberal lança a dúvida sobre “outras decisões similares tomadas por pressão do Bloco de Esquerda ou do PCP, com prejuízo direto para os interesses dos contribuintes e como estratégia de manutenção do PS no poder” e aponta para o futuro próximo, a ser decidido a 10 de março, questionando as “novas cedências” que Pedro Nuno Santos estará disposto a fazer para “agradar à esquerda radical na sua estratégia de conquista do poder custe o que custar”.

Para a Iniciativa Liberal, “as decisões políticas do país não podem ficar nas mãos de extremistas e radicais nem dependentes nem sujeitas às compras de votos para aprovações de sucessivos Orçamentos do Estado” e o dinheiro dos contribuintes “não pode servir para que os governos socialistas brinquem aos aviões, aos aeroportos, aos comboios ou aos correios.”