A dado momento do debate entre Mariana Mortágua e Paulo Raimundo, o secretário-geral do PCP classificou o que ali estava a acontecer como uma “troca de opiniões”. E acabou por ser isso mesmo que aconteceu: apesar de os dois partidos disputarem eleitorado comum e de olharem um para o outro com bastante acrimónia, esta noite os dois líderes sentaram-se a conversar — praticamente sem interrupções de parte a parte — sobre um problema comum: a relação com o PS e a forma como podem, ou não, obrigá-lo a tomar medidas mais à esquerda.

Se o Bloco de Esquerda partiu desde cedo para esta campanha com um objetivo fechado — fazer acordo com o PS se a esquerda tiver maioria, tentando obrigar os socialistas desde já a falar sobre medidas concretas, até agora sem sucesso –, o PCP tem sido menos direto a falar sobre essa hipótese. Desta vez deixou, no entanto, uma porta mais aberta aos diálogos à esquerda (mesmo que não sejam em forma de acordo escrito), dizendo que a “condição” para obrigar o PS a tomar medidas positivas é “constituir uma maioria de esquerda”. 

Ou seja, desta vez, em vez de falar apenas no tradicional desejo de que a CDU seja reforçada em votos e mandatos, a que costuma somar a promessa de que não faltará ao que for “positivo”, Raimundo reforçou também em mais do que um momento que a “história” fala pelo PCP, referindo-se à formação da geringonça em 2015 (quando ajudaram a “tombar o tabuleiro”) — mais uma vez, desvalorizando a “forma” desses diálogos, uma vez que o PCP nunca quis que os acordos fossem necessariamente formais. Se o PCP conseguir ficar mais forte, irá trabalhar para obrigar o PS a adotar as suas soluções, prometeu.

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