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O Presidente russo, Vladimir Putin, reividicou esta sexta-feira a posse de todo o território ucraniano, que mandou invadir em fevereiro de 2022, num conflito que persiste há mais de três anos e que envolveu o apoio militar do Ocidente a Kiev. “Já o disse muitas vezes, considero o povo russo e ucraniano o mesmo povo. Nesse sentido, toda a Ucrânia é nossa”, defendeu, citando “uma regra antiga” ao moderador do debate: “Onde a bota de um soldado russo pisa, é nosso”.
Putin explicou, durante o Fórum Económico Internacional de São Petersburgo, que a Rússia nunca colocou em causa o direito da Ucrânia à soberania, mas notou que quando a Ucrânia declarou a sua independência era um “estado neutro”. Questionado sobre o objetivo russo na guerra, o Presidente declara que estão a lutar para proteger a segurança do país, acrescentando que o seu exército estava a criar uma zona-tampão em Sumy, na Ucrânia.
Deste modo, o líder russo não descartou a conquista da região de Sumy, no nordeste da Ucrânia, onde as forças de Moscovo abriram uma frente de combate que se estender por 10 a 12 quilómetros. “Não temos esse objetivo: conquistar Sumy. Mas, em princípio, não descarto”, disse Putin, que realçou ter alertado Kiev, em diversas ocasiões, que se não parasse as suas operações militares, as condições de Moscovo à mesa das negociações ficariam cada vez mais exigentes.
Mais de três anos após o início da invasão da Ucrânia, a Rússia exige o reconhecimento da posse das regiões de Donetsk e Lugansk, no leste do país, e de Zaporijia e Kherson, no sul, além da península da Crimeia, anexada desde 2014. Moscovo pretende também que Kiev renuncie aos seus planos de aderir à NATO e do reforço das suas capacidades militares, condições recusadas pelas autoridades ucranianas.
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Ucrânia critica “declarações cínicas” do líder do Kremlin
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou no seu discurso diário que as forças russas tinham “diversas intenções insanas” na região de Sumy, mas que foram contidas pelas forças de defesa ucranianas.
Segundo Zelensky, a situação na linha de frente foi tema central da reunião do Estado-Maior do exército, com atenção especial às ações nas áreas de fronteira. “Sou grato às nossas unidades pela resiliência. Os russos tinham vários planos e intenções ali que eram, como sempre, absolutamente insanos. Estamos a conter estes assassinos e a esmagá-los, protegendo a nossa região de Sumy”, disse.
O Presidente ucraniano também comentou a postura da Rússia face às negociações de paz, sublinhado que Moscovo voltou a rejeitar qualquer possibilidade de cessar-fogo. “A Rússia quer lutar, ameaça com novas ações. Isso mostra que ainda não sente a dor da pressão internacional – ou está a tentar fingir que não sente. Mas a economia russa já está em declínio e vamos apoiar ainda mais esse processo”, afirmou.
Today, the Russians once again openly and absolutely cynically declared that they are “not in the mood” for a ceasefire. Russia wants to wage war. Even brandishing some threats. This means the pressure the world is applying isn’t hurting them enough yet, or they are trying very… pic.twitter.com/xF9XtXSZUY
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) June 20, 2025
Por seu turno, o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andrii Sybiha, afirmou que as declarações do Presidente russo, Vladimir Putin, desta sexta-feira demonstram o desdém pelos esforços dos Estados Unidos para colocar fim à guerra.
“As declarações cínicas de Putin demonstram total desdém pelos esforços de paz dos EUA”, escreveu Sybiha na rede social X em reação ao discurso de Putin.
Putin's cynical statements demonstrate complete disdain for US peace efforts. While the United States and the rest of the world have called for an immediate end to the killing, Russia's top war criminal discusses plans to seize more Ukrainian territory and kill more Ukrainians.…
— Andrii Sybiha ???????? (@andrii_sybiha) June 20, 2025
Putin preocupado com a possibilidade de uma terceira Guerra Mundial
O líder do Kremlin falou ainda sobre os conflito internacionais. Vladimir Putin admitiu estar “muito preocupado” com a possibilidade de eclodir uma terceira Guerra Mundial devido aos conflitos no Irão e na Ucrânia, relatou a agência Ria Novosti.
“Estou preocupado. Digo isto sem ironia ou brincadeira. Há um grande potencial de conflito que está a crescer (…). O conflito que estamos a viver na Ucrânia, o que está a acontecer no Médio Oriente e, claro, estamos muito preocupados com o que está a acontecer em torno das instalações nucleares do Irão”, disse.
Na intervenção transmitida em direto pela televisão russa, Vladimir Putin comentou que todos estes conflitos exigem não só a atenção do Kremlin, “mas também a procura de soluções, de decisões, de preferência por meios pacíficos”.
Em relação ao seu aliado Irão, Putin sublinhou que Moscovo cumpre todos os seus compromissos com a República Islâmica, mas afastou o envolvimento russo ao lado de Teerão na guerra iniciada por ataques israelitas em grande escala desde 13 de junho, justificados por Telavive com a necessidade de parar o programa nuclear iraniano.
“Sempre cumprimos os nossos compromissos, e o mesmo se aplica às relações russo-iranianas. Apoiamos o Irão na luta pelos seus interesses legítimos, incluindo a sua luta por um programa nuclear pacífico”, sustentou, criticando aqueles que o acusam de não ter feito o que estava ao seu alcance para apoiar o Irão.
“O que mais deveríamos fazer? Iniciar algum tipo de operação militar, ou quê?”, questionou Putin, acrescentando que o Kremlin “tem as suas próprias operações militares contra aqueles que considera inimigos das ideias que defende e contra aqueles que representam ameaças à Rússia”.
O Presidente russo afirmou que não procura o papel de mediador no conflito entre Israel e o Irão, mas está “simplesmente a propor ideias” para resolver a situação. “Se forem apelativas para ambos os países, ficaremos felizes”, disse Putin, ao referir que mantém contactos com Israel e os seus “amigos iranianos” quase diariamente, após a diplomacia de Moscovo ter considerado as justificações de Telavive para os seus ataques no Irão como cínicas.
A propósito da incerteza expressada pelo homólogo norte-americano, Donald Trump, sobre uma participação de Washington no conflito, em apoio de Israel, o líder russo recomendou a Washington que mantenha o seu afastamento, sob risco de “consequências imprevisíveis”.
Do mesmo modo, manifestou confiança de que as ameaças de Israel em relação a um eventual assassínio do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, continuem “na retórica”, dois dias após ter afirmado aos jornalistas que “nem sequer queria falar sobre essa possibilidade”.